O cálice da Loucura

Encontrando a Loucura rindo de maneira estridente e tentadoramente feliz, encostada ao muro das lamentações humanas, Dante curioso pela alegria em tal local, perguntou a jovem deusa que nasceu do desejo indiscriminado de tantos outros deuses:

– Minha ninfa, o que pode ter a agradado tanto para rir de corpo inteiro? Acaso Dionísio a presenteou com o néctar mais doce dos deuses?

– Ó não meu jovem – a Loucura se empertigou, o encarando com seus encantadores olhos enevoados – antes fosse meu primo Dionísio com seu dom embriagante, é algo melhor, é simplesmente a charada do universo.

– E eu, em meu singelo posto de reles mortal, acaso posso desfrutar dessa charada tão grandiosa?

– Ó sim – sorriu a ninfa com sincera alegria, afinal distribuir um pouco de sua loucura era algo totalmente prazeroso – basta beber desse cálice e entenderás o que eu digo.

Estendeu o pequeno cálice de cristal, com um liquido esverdeado a Dante.

– E posso saber o que contém na taça, apenas para preparar meus sentidos? 

Dante aprendera a desconfiar de qualquer oferenda de um deus, pois a cicuta continuava a ser algo  divertido para os imortais.

– Claro – sorriu a ninfa – este cálice está rodeado pela mágica da infinitude e repleto de toda a ignorância humana, nem o mais bravo homem consegue sorvê-lo de uma só vez, mas aviso que aquele ao qual o beber, experimentará a mais doce viagem ao coração de toda a humanidade e encontrará tanta graça em cada sopro de ignorância, que não conseguirá larga-lo nunca mais. É um preço pequeno para tamanha alegria e estou disposta a acompanhar-lo nessa esplendorosa viagem. Aceita?

Dante recuou dois passos, estava encantado com o sorriso da deusa, mas sabia de suas artimanhas a fim de galgar seus impiedosos desejos.

– Creio que depois de anos percorrendo o Hades e subindo ao Olimpo, já basta o que vi de minha própria ignorância.

A deusa riu desdenhosamente

– Você já foi corajoso um dia meu jovem, saiba que Beatriz está entre os melhores seres ignorantes, mas como diria minha irmã mais mortífera, eu, a Loucura ainda hei de seduzir seu coração, embebedar sua alma e rir de sua pobre ignorância.

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