Pai: Toma que a cria também é sua!

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Três dias de curso, três horas diárias para tentar compreender três momentos importantes na vida da mãe, do bebê e do pai. Receio dizer que eram tantas informações que mesmo agora, depois de uma semana não consegui assimilar todas e ainda tenho certeza que com o passar do tempo vou ter algumas dúvidas sobre o que foi dito durante o Curso para Gestantes do Hospital Ministro Costa Cavalcanti (prometo que as informações para os interessados passarei no final deste texto).

Aprendi ali como me preparar para cuidar de uma criança nos seus primeiros dias de vida, um momento que envolve toda a família, pois todos os envolvidos estão se adaptando a esta nova pessoinha que chegou. Nós mães, passamos nove meses com eles na barriga, mas de fato não conhecemos o rostinho, nunca ouvimos um choro, então como a enfermeira explicava está ai o X da questão. Afinal na barriga eles não choram e não dá para esperar que no primeiro resmungo a mãe compreenda se é fome, cólica, sono, dor ou qualquer outro fator que envolve um recém-nascido.

Durante aquelas horas as enfermeiras, médico, fonoaudióloga e até mesmo a fisioterapeuta explicaram a importância dos exercícios, que aliviam as dores nas costas, o inchaço, relaxam a mãe, as massagens para aliviar as dores do parto, massagens que aliviam as cólicas e que ajudam no desenvolvimento do bebê. Também explicaram o quanto o parto normal é realmente normal e uma forma mais saudável para a criança e para a mãe e como algumas das práticas utilizadas antigamente não são mais utilizadas por não serem adequadas e até mesmo causar algum tipo de trauma. Lembraram, relembraram milhões de vezes sobre como os exames médicos (teste do pezinho, orelhinha e olhinho) são determinantes na descoberta de algumas doenças, o valor das vacinas. Ensinaram como dar banho de uma forma confortável e que não vá assustar o pequeno e ainda ajuda a dar estabilidade para quem irá dar os banhos e também como limpar o umbiguinho. Nem preciso dizer que do primeiro ao último dia o que mais foi mencionado, ensinado, falado e debatido foi o quão é importante a amamentação materna, as técnicas de amamentação, cuidados com os seios e com o leite caso ele seja retirado para doação ou até mesmo para guardar quando a mãe volta a trabalhar. E de como até os seis primeiros meses o leite materno é sim o melhor alimento para uma criança.

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Mesmo com todos esses assuntos a equipe do curso ainda tinha o cuidado de lembrar a cada minuto a importância de uma pessoa que pouco se fala quando o assunto é gravidez. Uma pessoa que pela nossa sociedade extremamente machista é esquecida, afinal é obrigação da mãe cuidar dos filhos. Mas lá estava profissionais explicando que sim a cria também é do PAI e por isso ele tem os mesmos deveres, cuidados, responsabilidades e até mesmo o amor pelos filhos. E que ele não dá a luz e nem carrega a criança durante a gestação, mas é importante sim no apoio durante esses noves meses e que durante os primeiros dias e até o resto da vida é uma figura insubstituível na vida de alguém.

Médico, enfermeira, fonoaudióloga e fisioterapeuta falavam diretamente com mães e pais, lembrando o ser masculino que ele deve sim fazer carinho na barriga, conversar com o bebê e ajudar no que for necessário. Afinal, quando aquele serzinho sair de dentro da mãe a outra pessoa que ele terá mais proximidade e familiaridade é com o pai. E que durante o “nascer” o pai normalmente é aquele que ajuda a equipe na tentativa de deixar a mulher calma e confortável. Que depois de nascer ele será o primeiro ou o segundo a segurar a criança, enquanto a mãe se recupera, mesmo com seu bebê ao lado, é o pai que vai acompanhar os exames feitos pelo pediatra na sala do parto, é ele que vai acompanhar as primeiras vacinas e até mesmo pode ser ele a primeira pessoa a dar banho no bebê. E durante o restante da vida ele será a pessoa que ajudara, auxiliará, será o apoio da mãe. Ele não pode dar de mamar pro filho, mas pode sim incentivar a mãe não desistir. Ele pode trocar fraudas, trocar de roupa, colocar pra dormir, brincar, ensinar e acompanhar a criança.

Este foi o fator que mais me chamou atenção durante o curso, por vários motivos… Poderia inclusive enumera-los aqui, porém vou apenas deixar claro alguns. Primeiro é pelo pequeno passo que se dá para mudar a mente de uma sociedade que vê a criança como responsabilidade única da mulher, estava até tarde para chamar a responsabilidade do pai e não somente no quesito legal da coisa. Ou seja, não apenas com leis que asseguram o direito de uma pessoa a ter o nome do pai na certidão de nascimento, que dá o direito de alguém receber uma pensão quando este pai não é presente, mas sim de dizer para todos que o senhor macho alfa não é simplesmente alguém que ajudou ali na hora da concepção, que esse senhor ai é sim alguém responsável pela educação, criação, afeto, cuidados e apoio. Segundo por quebrar de certa maneira com a filosofia de que o homem não é capaz de ajudar nos deveres maternos, quantos homens no mundo são pais solteiros, ou são duplos pais, ou até mesmo assumem o papel quando outro some? Terceiro por estar indignada com atitudes de certos pais próximos a mim. Quarto e que mais me faz saber que esses profissionais e as pessoas que falam que “a cria também é sua então toma” estão corretíssimas: EU FUI UMA MENINA COM UM PAI EXTREMAMENTE PRESENTE EM MINHA VIDA. Até nos dias de hoje, ele têm me dado apoio, se preocupado e curtido cada momentinho dessas 28 semanas de gravidez, mesmo quando o velho viaja ele ainda liga pra perguntar se está tudo bem, saber se preciso de algo.

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Este assunto, poderia dar mil textos, quem sabe eu não junte mais fatores para ajudar nessa batalha de mudar a visão dos homens e da sociedade. Se isso acontecer voltaremos nesse assunto. Me perdoem pelo texto enorme (isso porque me segurei muito na hora de citar exemplos, de enumerar as importâncias e os motivos), mas acho que é algo de extrema importância. Agora para aqueles que se interessaram pelo curso, ele acontece de dois em dois meses no Hospital Ministro Costa Cavalcanti aqui de Foz do Iguaçu. Para mais informações é só ligar no número do hospital e pedir informações sobre o curso. Já adianto que ao conseguir falar lá eles vão informar que é necessário deixar dois nomes para a lista de presença (tem certificado minha gente), no caso ela pede o nome da gestante e do pai da criança, mas caso você esteja em uma situação em que o tal “pai” anda fugindo ou é machista de mais (aconselho a tentar arrastar esse babaca), mas se não for possível leve a sua mãe, sogra, amiga, irmã ou irmão te garanto que vão adorar a experiência.

Pai-e-filha

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Um comentário em “Pai: Toma que a cria também é sua!

  1. O que dizer desse texto? Desde como aparenta ser a (loucura) experiência de ser mãe, até os pontos indispensáveis para uma gravidez saudável e, principalmente, sobre como é importante criar consciência de que “quem engravida, é o CASAL”. Comentários adicionais eu não faço, pois você sabe exatamente o que eu penso ~desseS babacaS.

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