De beleza, aceito a minha!

Há uns bons meses a linha de produtos da marca Dove da empresa Unilever, fez um vídeo em forma de campanha publicitária, chamado “Como você se vê”

O intuito era demonstrar a diferença entre o olhar feminino sob seus próprios atributos físicos, do olhar de amigos e conhecidos. A campanha ganhou proporção mundial em questão de semanas, pois mostrou com fidelidade a tendência humana de se inferiorizar fisicamente. Afinal, nunca estamos satisfeitas ou contentes com o que temos.

Em uma sociedade estereotipada, carimbada e modelada, ser diferente do que as revistas de moda e fofoca ditam é constrangedor. É não ser parte do conjunto de peças lego, que em teoria, perfeitamente se encaixam, mas que na prática, nos obriga a aparar algumas de nossas saliências.

Essa semana uma notícia polemizou o mundo das gordinhas, magrinhas e meio termos. A modelo australiana Robyn Lawley (procurem no google e pasmem com o fato de ela ser considerada gordinha) estrelou a campanha de uma coleção de calças “plus size” que teria numeração do 36 a 46. Sim, essa numeração, considerada normal entre os padrões brasileiros, é rotulada como modelo de roupas para quem está acima do peso no mundo internacional da moda.

Agora me pergunto o porquê de tudo isso?

E só consigo pensar numa única resposta. Dinheiro.

Quem nunca ouviu a célebre frase atribuída falsamente a Marx “O capitalismo inventou o inverno para poder vender mais cobertores”? É isso mesmo, nosso querido modelo econômico nos fabricou com espaços reservados para a criação de necessidades que serão desenvolvidas por estímulos visuais ao longo dos anos. Necessidades que só podem ser preenchidas por coisas caras, brilhantes e cintilantes. Mas principalmente, necessidades produzidas a partir de modelos trabalhados e retocados na tecnologia. Ou vocês acham que a beleza das modelos é unicamente resultado da miscigenação de seus genes?

Ou seja, somos a todo o momento, incentivados a odiar qualquer pintinha em nossos corpos, porque a atriz da novela das nove, aparentemente, não tem nenhuma. Por isso compramos as revistas de moda, de fofocas e principalmente aquelas que trazem o depoimento de algum famoso falando a respeito de dieta e assumindo que ao contrário do que todo mundo pensa, come chocolate e fritura. Por isso nos besuntamos com todos os tipos de cremes e loções “milagrosas” possíveis. E nos maquiamos para ir no mercado e frequentamos a academia para conquistar o vizinho.

Somos programados para nos insatisfazer conosco mesmo. E isso vem desde o berçário, no momento que a avó diz “o filho do João nasceu mais bonito”. É nessa hora, que sem entender quase nada, já decidimos que o importante de nossas vidas é sermos bonitos, elegantes e malhados. E ao longo dos anos essa ideia é cada vez mais reforçada pelos outdoors na rua ou pelo fato da sua amiga ter posto silicone e a gente ainda continuar com os mesmos peitos pequenos de sempre.

Eu só queria que as pessoas entendessem que não avalia-se o caráter de alguém pelo número da calça que ela usa. Muito menos seu potencial ou descobre-se seus defeitos. Ser gordinha não é ruim quando se tem consciência de seu próprio corpo e se assume as limitações dele. Saibam que não vale a pena viver a sombra de suas próprias imperfeições, olhando o mundo através de uma fresta do cabelo engordurado que lhe cai aos olhos.

O mundo é bonito por si só e você, seja gorda, magra ou mais ou menos, é bonita pela própria natureza. E o que importa não é só a saúde, mas sim o bem estar que sentimos ao nos olharmos no espelho. Ou seja, se ame de ponta a ponta, de kg a kg e de celulite a celulite, você é linda e é só você quem não sabe disso.

Mas porque estou dizendo esse tanto de frases sem sentido? Sim gente. Sei que isso aqui não teve nada de nexo e para falar bem a verdade, o tema do texto era para ser outro, só que saiu essa coisa ai. Porque simplesmente tô cansada dessa chatice de “sou feia, ninguém me ama”.

Por exemplo. EU. Eu sou baixinha, tenho cabelo escorrido, celulites e estria, uma pancinha que não desaloja nem com reza brava e um par de olhos de peixe morto. Sim, aquele olhar caído de quem fuma um beck o dia inteiro. Mas aprendi a gostar de mim, a me aceitar com cara de drogada e dentes tortos, a olhar minha cara redonda e pensar “pãtz, preciso emagrecer”, só que aceitar isso de boa, levar como incentivo para uma reeducação alimentar.

E o melhor, aprendi que beleza, na hora H da vida, não quer dizer nada. Afinal, conheci tanta gente linda, daquelas de arrancar suspiro, com narizes definidos e sobrancelhas delineadas, que, no entanto não valiam o rímel ou o pós-barba que usavam.

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