Não nasci pra ser mocinha

Definitivamente. Essa coisa de ser um ser fofo e delicado, com a cara da pureza e da perfeição, não combina comigo. Confesso que já tive algumas tentativas frustradas de parecer mais doce, feminina, delicada. Aliás, admiro quem é. Acho incrível a capacidade das mulheres que estão sempre lindas. Não importa a hora que você as encontre: estão com o cabelo arrumado, a roupa impecável, sapatos e bolsa combinando com a última tendência da moda. Não invejo, mas as admiro.

Mas desisti. Desisti, porque acho que cada um tem suas afinidades. E essa, certamente,  não é uma das minhas. Por mais que eu tente, gaste horrores para ficar ~diva, o meu cabelo vai estar sempre despenteado. Eu sempre vou fazer cara feia quando estiver usando salto alto – e vou andar o mínimo possível, já que meu equilíbrio em cima de um desses, não é dos melhores.

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E eu vou falar palavrão. Ou alguma besteira qualquer. Ou fazer uma piadinha infame. Eu vou dar uma gargalhada se eu achar algo muito engraçado. Vou ser espontânea. Fazer careta se eu não gostar de algo.

Às vezes, algumas circunstâncias da vida (como o trabalho, principalmente), me obrigam a manter a compostura. E ok, acho válido. Nesses casos, eu me esforço, porque enfim, preciso.

Mas nada me deixa mais feliz do que ficar livre pra ser do jeito que eu quiser. Andar descalça em casa, na grama, na terra. Ir pro bar direto do trabalho. Mesmo que eu tenha ido trabalhar de calça jeans e tênis, e o happy hour seja no bar “chique” da cidade.  Pedir minha cerveja de 600ml pra beber sozinha, ao invés de uma caipirinha de morango ou qualquer outro drink….

Eu não sei qual é a roupa da moda. Não sei qual a tendência do corte de cabelo do verão. Eu sou uma criatura incapaz de usar o delineador corretamente. Aliás, minha nécessaire de maquiagem é limitada a um creme 500 coisas em 1, lápis de olho, rímel, e aquelas paletas de sombra do Paraguai (que duram séculos, já que eu uso só lá de vez em quando).
Eu não sei usar vestido. Adoro e acho lindo. Mas cada vez que eu uso um, fico me sentindo meio…. defunto que usou a roupa do enterro emprestada. Sem falar no cuidado extremo para sentar, me abaixar, essas coisas.

Meus modos não são dos melhores. Eu certamente vou derramar molho de tomate na roupa. Principalmente se ela for branca. Vou pegar o sashimi desajeitamente, de modo a derrubá-lo no shoyu e espirrar em todo mundo. Quem derruba o copo de cerveja na mesa, ou nos amigos, sou sempre eu. Eu vou pedir aquele hambúrguer cheio de molho, e vou derrubar metade, como sempre. Eu vou me empolgar pra contar uma história, e a ansiedade é tanta, que eu vou falar isso muito alto, e muito rápido.  E vou ser exagerada, sempre.

Na pose pra foto eu vou precisar fazer uma careta. Ou colocar aquele sorriso de cara inteira, porque eu não sei qual o meu melhor perfil, ou como posar para ficar lindamente sexy.  E se eu estiver prestes a levar um tombo, eu vou gritar durante a queda, porque eu não sei cair quietinha e dar uma disfarçada fingindo que nada aconteceu. Aliás, provavelmente ou vá cair. Ou tropeçar. Ou bater o dedinho no cantinho da mesa. Ou a perna na quina.

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Por essas, e muitas outras – poderíamos levar esse papo por horas – chego a conclusão que não nasci pra ser mocinha. Seja pelo meu mau gosto em roupas, acessórios, seja pela minha ogrisse em excesso, seja pela minha espontaneidade e também pela minha afinidade com o desastre. Apenas resolvi assumir, o que na verdade eu já sabia há tempos: se uma ~~lady está longe de  ser eu.

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8 comentários em “Não nasci pra ser mocinha

  1. Hahaha, adorei o texto, me encaixo perfeitamente.
    Meu noivo as vezes fala q eu deveria ser assim e assado e bla e bla bla e sabe o que e falo?
    Essas meninas que passam maquiagem todo dia, usam saltos enormes ficam lindas e são super delicadas, alem de parecerem princesas do acordar ate dormir…não sou eu..e elas perdem um tempo enoorme fazendo a ”beleza” do dia quando na verdade pode estar fazendo outras coisas…ahaha
    Sou mais pratica 😉
    Beijs

  2. AH!!!!! exagerada!!!!! 🙂 ja me achei assim um dia, e comecei lendo o texto me identificando, ate que percebi o quanto eu me escondia atras da minha ogrisse, o quanto de feminilidade estava escondida justamente por eu ter certeza que jamais seria uma lady….e realmente eu jamais serei, falo palavrão pra cacete, tbm não sei usar delineador, mas não tomo cerveja…uso salto médio, uso algumas maquiagens, mas nem sempre foi assim, descobri que me tornar feminina, ou pelo menos um pouco mais feminina, não é do dia para noite, é devagarinho…e que ser a ogra da turma, é só um disfarce para esconder uma bela mulher as vezes timida, que se esconde dos olhares por se achar incapaz de se tornar uma lady…cai hj no seu site de para quedas e estou amando….tenho quase 40 anos…e estou recomeçando minha vida, é bom ser um pouco menos ogra, e melhor ainda não ser lady ;0) super beijo!!!!

  3. ahahah é guria, e essa é a realidade de meio milhão de mulheres. Eu gosto, amo esse mundo de frescuras, mas nem sempre consigo(em especial) estar com os fios de cabelos domados e em cima do salto como gostaria… E acho simplesmente o máximo, poder assumir isso (como assumimos) e curtirmos a deliciosa sapatilha quando bem entendermos rsrs
    bjinhos

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