Em caso de distância: sejam, no plural

Por: Marcus Paulo

Pronto, sentei e vou refazer tudo de novo.

Escrevi dois textos desde que me convidaram pra uma breve participação aqui no Ninho… problemas técnicos conspiraram contra e me fizeram perder tudo. Fiz questão de pedir a opinião de terceiros sobre o que escrever e confesso: ainda bem que os textos foram excluídos por uma força-tecnológica-maior. Não que as dicas fossem totalmente inválidas, mas particularmente acho que esse blog não merece uma pauta triste. Não vinda de mim.

Por outro lado, a única coisa que me instigou a escrever nessa semana foi sim uma coisa triste. Mesmo que seja uma tristeza originada de algo extremamente bom, prazeroso e aconchegante. Também resolvi me inspirar em uma das minhas bandas favoritas. Aquela que, em homenagem a todas as pessoas que sofrem no estado do Espírito Santo, faz músicas positivas falando de coisas negativas.

http://bit.ly/3dvPZQ

Enfim, me desculpem os que acharam que, por estar escrevendo em um blog que não é meu, me veriam sair do clichê romântico-literário de sempre. Mas é que desde a quinta-série eu implorava pra minha professora de redação me deixar escrever sobre o que eu quisesse… claro que ela não deixava. Se quem trabalha com o que gosta na verdade nunca está trabalhando, quando eu escrevo sobre o que gosto, me sinto muito mais transparecendo uma auto-biografia-não-autorizada do que, de fato, escrevendo.

Voltando para o positivismo gerado no negativismo, deixo a pergunta: quem é que aqui nunca teve medo de se apaixonar por alguém que mora longe?

Há até quem diga que medo é uma palavra leve pra situação. Vai lá… pavor, pânico, receio, 54457415 pés atrás. Negativismo de quem nunca se deixou levar, positivismo de quem já soube aproveitar as emoções de um reencontro. Até de uma despedida. E eu poderia contar mil histórias minhas, nas quais acabei me envolvendo com pessoas que moravam longe, que moram longe até hoje, que moravam longe e acabaram indo morar mais longe ainda, mas também prefiro poupá-los disso. O que eu quero mesmo, do fundo desse coração já enrugado tantas vezes pelo excesso de quilômetros despejados entre um beijo de boa noite e um sorriso de bom dia, é que vocês não percam as esperanças, mesmo que elas se doam pelas saudades acumuladas.

Sejam a provocação que gera a ação, já que ação é a única criação possível ao nosso alcance. Sejam o fogo que ilumina as cavernas de suas almas, que não se apagam com as lágrimas das montanhas. Sejam as mudanças que não lhes deixam parados com medo das consequências irreversíveis. Sejam a braçadeira que ordena o capitão a orientar o time a fazer as jogadas ensaiadas em todos os treinamentos. Sejam aquela águazinha que a gente coloca no frasco do shampoo na tentativa de adiar o fim da espuma. Sejam a certeza da língua, o suspiro que fala mais alto que o discurso, o gozo da noite. Sejam, no plural.

O amor pode até morrer, mas enquanto vivo sempre nos dá uma lição de como viver.

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Marcus Paulo Gonçalves: Mistura paraguaia com nordestina, nascido e criado na Tríplice Fronteira. Às vezes escreve, às vezes não, pois estamos num país “livre”. Curte tocar violão e docinhos Fini. Também cursa Publicidade e Propaganda, mas sabe que é importante não deixar a faculdade atrapalhar os seus estudos. (http://www.adjuntosouseparados.blogspot.com.br/)

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