É proibido ser ou mostrar a diversidade

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Trabalho de Latifa Atari mostrando a transformação instantânea de travestis.

Hoje ao abrir o Facebook me deparei com uma postagem da Latifa Atari que me chamou a atenção. A estudante de moda e fotógrafa estava, podemos dizer, revoltada com a ação de algumas pessoas de denunciarem na rede social algumas fotos que ela havia postado. As fotografias em questão retratavam a transformação de um modelo representando o universo dos travestis.

Caso você não seja amigo da Latifa no facebook ou não viu a mensagem em questão, repasso aqui para vocês entenderem um pouco mais o que aconteceu:

Fiz o editorial transformação instantânea que retrata a transformação de travestis em relação ao vestuário. Infelizmente tem uma galera aqui BEM mente fechada, que não para quieta quando posto alguma foto e não dura muito tempo e o facebook já censura por denuncias. Isso é triste, não por mim, mas pelas pessoas que ainda pensam de uma maneira tão pequena e acham certo a gente se enquadrar nesse padrão que dizem por ae que é o certo. Tenho dó das pessoas que seguem esse tipo de padrão e achar as coisas erradas.

Em box fui falar com a Lalu e tentar entender o que a motivou fazer esse editorial de fotos. Ela então explicou que a ideia surgiu para um trabalho da faculdade e que ao fazer as fotos imaginou que poderia haver algum tipo de preconceito e exatamente por isso escolheu fazer elas um pouco mais “light”, na tentativa de esquivar-se de pessoas que acham que o fato de um homem se vestir de mulher é errado e por isso deve ser julgado de forma extremamente preconceituosa. Em suas próprias palavras ela explica o objetivo que tinha ao fazer este trabalho para a faculdade e ao divulgá-lo no face. “Eu fiz pra um trabalho da faculdade e também pras pessoas começarem a pensar diferente sobre o tema. Não é nada de anormal. Eu que fui criada numa família árabe conservadora, nunca vi problema nisso.”

O que me chama a atenção em um caso desses são alguns fatores bem destintos. Em pleno século XXI ainda existem pessoas que não sabem respeitar a opção e opinião alheia. Uma jovem sofrer críticas e censura por um trabalho como este, que quer mostrar as pessoas ao redor uma forma de vida diferente daquela ditada como a certa, a fim de promover a diversidade e quebrar barreiras como o preconceito. Fotos que são, além de bonitas e leves, serem censuradas dentro de uma rede social por denuncias, porém quantos casos de machismo, homofobia, preconceitos diversos vemos dentro desta mesma rede social continuam sendo divulgadas e compartilhadas sem sofrer nenhum tipo de corte? E os vídeos e fotos chamadas de “pornografia de vingança” que também circulam por ela e ninguém faz nada a não ser compartilhar ainda mais e julgar de forma tão pesada as vítimas dessas barbaridades?

Qual é a lógica então dessas pessoas que se dizem corretas e conservadoras? Bater em mulher, vídeo de pessoas sendo decapitadas, vídeos íntimos, textos sobre o brutal preconceito a homossexuais e mulheres podem ser compartilhados, curtidos e postados, mas defender a inclusão, a diversidade, a igualdade é errado e não pode?!

Antes de julgar se o belo trabalho de Latifa Atari é errado por mostrar a transformação instantânea de um homem em mulher, comece olhando para a sua volta e perguntando se aquela piada tosca sobre mulheres, loiros, nordestinos, negros, homossexuais, portugueses e entre outras mais é realmente engraçada ou é uma forma disfarçada de distribuir o ódio àquele que é diferente de você. Tente se colocar no lugar dessas minorias e veja como se sentiria ao ver tantas pessoas contra aquilo que você é e acredita.

Se eu fosse você começaria a desenvolver trabalhos como este, para tentar melhorar um pouco este mundo tão injusto em que vivemos… Onde mulheres que gostam de sexo são julgadas por não ter medo de dizer que gostam de sexo, onde andar de saia é motivo para ser violentada de tantas formas, onde amar alguém do mesmo gênero é tão errado e horrível que merece ser punido, onde um sotaque diferente já é motivo de chacotas, onde uma pessoa a cima do peso é sempre vítima dos padrões de beleza, onde ser diferente é considerado um pecado mortal. Em um país que foi construido por tantas culturas e povos distintos isso é algo totalmente inacreditável de tão irônico.

Agora fiquem aqui com as fotos que Latifa nos disponibilizou para este post e aprecie elas como uma forma de lutar pela liberdade da diferença e da expressão.

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