Caminhos Iguais

Ela saiu, eram 3h30 da manhã. A rua estava estranhamente vazia para uma sexta-feira antes de um feriado. Ela vestia um shorts preto que nunca gostou, mas que servia bem, uma meia preta emprestada da prima que ela nunca devolveu, e aquela blusa vermelha rasgada que usou na noite que mudou completamente sua vida. Aquela maldita noite. Eles se encontraram no balcão do bar, naquela boate em que ela odiava, mas que foi por consideração à sua amiga que estava partindo pra outra cidade. Ela pediu um drink, ele pediu para sentar ao lado dela, conversaram durante um bom tempo, e ela sabia que aquilo seria problema, mas a forma com que ele contava suas histórias a encantava de um jeito que ela se deixou levar. Se pudesse voltar no tempo, não teria sido tão ingênua, teria rejeitado a conversa, e principalmente o que aconteceu depois.

Naquela rua escura, ela andava sozinha procurando um lugar em que pudesse esquecer tudo o que teve que passar nos últimos meses, queria fugir da realidade em que custava a acreditar. Era muito difícil crer que ela se colocou nessa posição, se julgava muito burra, pensava em como alguém poderia ser tão vulnerável e estúpida a ponto de se entregar a um relacionamento como aquele. Ela acende um cigarro da carteira que alguém esqueceu na sua bolsa, sente o sabor de menta com nicotina em sua boca, fecha os olhos e por um minuto parece que a dor se vai e a fumaça invade seu peito, preenchendo o vazio com a fumaça.

A cada quadra que andava, uma lembrança diferente martelava em sua mente, e mais uma lágrima caía de seus olhos, borrando sua maquiagem preta, manchando todo seu rosto. Ela encontra um andarilho. Ele estava do outro lado da rua, mas ela conseguia ver que o sujeito estava em condições deploráveis, e andava de forma desajeitada, provavelmente devido às doze doses de tequila que havia bebido em uma aposta com os amigos do trabalho em um bar qualquer.

Ele olhou pra ela como se estivesse pronto a dizer alguma coisa. Ela atravessou a rua, e decidiu saber qual era a história dessa pessoa, pensou que talvez assim ela esqueceria um pouco da sua tragédia. Talvez era a fuga da sua realidade em que ela estava procurando naquelas ruas. Eles se sentaram no meio fio, ela lhe ofereceu um cigarro, e ele contou, com dificuldade, sobre sua vida, sobre aquela noite. Quando ela percebeu, já era manhã, e a padaria que ficava na esquina já estava abrindo, o desconhecido já não era mais um desconhecido, e a conversa estava muito boa para terminar assim, sem um final. Ela diz que está com fome, ele a convida para tomar um café. Ela esqueceu a sua história, o motivo que a fez sair daquela forma de sua casa e caminhar pela rua sem rumo algum. A história que a fazia sofrer estava prestes a ser preenchida por outra.

kaya

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