Convite

Fazia tanto tempo que não escrevia, que sentou e chorou em palavras toda a sua falta de aptidão para a felicidade. Não se sentiu melhor, mas vingou cada tristeza que tirou suas falas nas horas “AGAs” da vida.

– Vem ser feliz.

– Agora?

– É.

– Mas, eu nem tomei banho.

– Não precisa, só vem logo.

– Nem tomei café da manhã ainda.

– Não importa, vem.

– Hum, também não escovei os dentes.

– Não tem problema.

– Mas… mas… acho que não sei ser feliz.

– Pode deixar. Eu te ensino.

– Só que eu tenho medo.

– Medo do quê? Para de ser besta e vem logo.

– Tenho medo porque sei que não nasci para isso.

– Para isso o quê?

– Para ser feliz, ué.

– E nasceu para o que então?

– Ainda não sei.

– Tudo bem então. Eu estou indo.

– Mas você vai voltar? Vai parar na minha vida na volta?

– Não sei.

– Por quê?

– Porque eu nasci para ser feliz.

Levantou, foi embora e nunca mais voltou.

Mandou umas caixas de saudade pro meu coração, guardei no porão da minha memória, de vez em quando ouço as músicas que deixou no meu Ipod, mas elas não me deixam feliz, porque ao contrário do mundo, nasci para ser dona de uma tristeza absurdamente cara para se manter sóbria e o dobro do preço para se manter bêbada.

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