Vestido Azul

Ela foi ao baile. Era uma noite importante para Clarinha, sua melhor amiga. Elisabeth não tinha o menor interesse de sair naquela noite porque depois do acidente com sua família ela nunca mais encontrou um motivo para sair do conforto de sua casa. A culpa não era dela, mas quando você é a única sobrevivente de um acidente como aquele, não tem como se livrar desse sentimento.

Clara só conseguiu convencê-la a ir à festa depois de uma semana inteira ligando para ela, indo a sua casa e mostrando o quanto precisava que Eli se lembrasse de sua amiga. Ela sabia disso. Mas estava mais preocupada em não estragar a festa de sua amiga por ficar sentada, feito estatua, esperando a hora de voltar pra sua casa, seus cômodos e todas as coisas que a faziam se sentir segura durante os últimos meses.

Quando chegou a hora, Clara e Brian, seu noivo, foram busca-la na porta de sua casa. Eli estava usando o vestido que sua mãe lhe deu em seu aniversario. Era um vestido azul, com detalhes em prata, e ela se lembrava claramente das palavras que sua mãe disse ao lhe dar o presente. “Esse vestido vai combinar com seus olhos. Eu sei que você vai me achar uma doida por falar isso, mas eu sinto que estará com este vestido numa noite muito especial.” Ela nunca entendeu o que sua mãe quis dizer com isso, mas ir a uma festa de formatura após 8 meses sem sair de casa, parecia uma ocasião um tanto “especial”.

O salão estava lindo. Clarinha parecia uma princesa, usava um vestido longo dourado, com seus cabelos loiros presos de lado com uma flor de lótus prata. Eli deu a presilha de presente para ela. A cerimônia foi cansativa para Eli, mas ela conseguiu aguentar os discursos sem ter algum tipo de crise que a obrigasse correr para longe dali. Após isso, começou o baile. Moças e rapazes se levantaram e foram para a pista de dança. Eli se manteve lá, imóvel, sem nenhuma vontade de dançar conforme a musica.

Para sua surpresa, um rapaz jovem senta-se ao lado dela. Ele tinha olhos verdes, muito parecidos com os olhos de seu pai. Sua expressão a deixou curiosa, aquilo despertou algo dentro de si que não compreendia o que era, mas que a fazia querer saber o que aquele rapaz estava pensando, e porque sentou ao lado dela. Ele permaneceu quieto, observando atentamente aos pares que estavam dançando lentamente ao som de Claire De Lune de Debussy. Eli ouviu essa musica pela ultima vez quando seu pai estava ensinando Lia, sua irmã mais nova, como deveria dançar em seu aniversario de quinze anos. Foi então que Eli teve vontade de poder dançar aquela musica. Ela olhou para seu lado, e o rapaz já não estava mais ali. Ela olhou para frente, e percebeu que ele estava ali, parado, com o braço estendido, pedindo sua permissão para dançar aquela bela musica. Ela, por um momento, pensou em não aceitar, mas sabia que não deveria perder aquela chance de dançar a musica que seu pai tanto gostava, e ainda estava muito curiosa em relação aquele estranho que sentou ao seu lado, que não lhe parecia tão estranho assim. Ela cedeu sua mão, e se deixou levar pelo momento. E foi sem a menor duvida o mais mágico que ela já teve em sua vida. Ela olhou nos olhos dele, acompanhando seus passos, e então se lembrou do que sua mãe havia lhe dito. Agradeceu em silencio por poder presenciar aquele momento.

Anúncios

Obrigada por comentar.

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair / Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair / Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair / Alterar )

Foto do Google+

Você está comentando utilizando sua conta Google+. Sair / Alterar )

Conectando a %s