Antigamente, era mais fácil amar?

Enquanto arrumava a minha bagunça da mudança, fiquei observando uma caixa de recordações. Sim, daquelas que guardávamos até papel de bala que fazia lembrar o primeiro beijo. Havia cartas de amigas, bilhetinhos não entregues, fotos e muitas porcarias que fazem sentido pra mim. Dentre essas coisas estava um tal caderninho que sei que muitas pessoas da minha geração já tiveram algum conhecimento. O caderno de perguntas.

Sim, pra galera de 2000 e pouco, aquele era o meio de comunicação, a rede social. Ali que poderíamos conhecer o perfil de nossos colegas da sala, dos vizinhos, e até mesmo dos amigos. Mas o que chama a atenção são as perguntas e a maneira como são respondidas.

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A faixa etária do pessoal que respondia era em torno de 13-15 anos, tinham perguntas de namorados, sexo e hobbies. Quatro perguntinhas, simples e bobas, ficaram me martelando. “Tem namorado? Tem ficante? Gosta de alguém? É correspondido?”. A maioria das respostas eram: “Sim tenho namorado, gosto de alguém mas esse alguém não é meu namorado. Não, não sou correspondida”.

Sim, com essa idade não nos importamos muito, mas vivemos intensamente. O fato de não ser correspondida não impedia de curtir e pegar geral, ou até mesmo namorar com o primeiro cara que aparecesse. Porque não podemos levar essa vida hoje em dia? Com uma idade amadurecida, com conhecimentos na vida pessoal que hoje temos noções de que fizemos tantas coisas toscas na adolescência, porque ainda nos deixamos levar intensamente por amores não correspondidos?

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Infelizmente, existem pessoas que sofrem tanto com esses quase romances, términos de relacionamento, que as impedem de conhecer novas pessoas e se aventurar mundo afora. Digo isso pois sei como é estar na fossa e só depois de muito tempo sair curtindo a vida. Naquele tempo a fossa era ficar em casa e antes de dormir chorar um pouco lembrando da pessoa que se gostava. No dia seguinte era só alegria poder ver as amigas no colégio, fofocar sobre o namorado (que afinal não é o mesmo que você pensou no dia anterior), matar aula e depois ficar em casa sem fazer nada.

Era muito simples gostar de alguém. Dar uma demonstração de amor era olhar a pessoa no recreio, era mandar um bilhete anônimo, aquele amor platônico que nem imaginávamos o quanto era ruim. Hoje em dia precisamos demonstrar carinho no facebook, e se a pessoa não responder alguma mensagem, deus nos acuda. Toda hora tem que mostrar a felicidade, mesmo que ela não exista. E o pior é quando tudo acaba, lá vem mensagens de lamentações e fotos de bebedeira só pra outra pessoa se sentir pior do que já está. E chorar, todos os momentos do dia. Amar hoje em dia é tão complicado como explicar esse sentimento.

Não quero que você que esteja lendo pare de sofrer, isso faz parte do processo do desapego. Apenas quero que você se recorde de como era na adolescência, era fácil gostar de alguém mas estar com outra pessoa que gosta mais ou menos. Dizem que um novo amor cura um velho amor, eu acredito nisso, ainda mais que ultimamente estamos tão extasiados com o dia a dia que amamos tudo de maneira rápida. Não nos damos tempo suficiente para gostar de alguma pessoa verdadeiramente, e nos entregamos tanto de cabeça que quando a dor da separação chega, é pior que a dor do parto.

Tem um sociólogo que eu admiro muito e gosto quando ele fala que vivemos numa “sociedade líquida”. Zigmunt Bauman fala que nossos laços com os indivíduos são laços líquidos, estamos aqui pois tal pessoa pode me trazer algum benefício, quando esse benefício não é mais necessário, simplesmente a deixamos de lado. Ele ainda fala que os casamentos são como contratos: “ficaremos juntos enquanto você me satisfazer”, infelizmente tá aí a explicação pra grande taxa de divórcios.

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Não entraremos tanto em detalhes, o fato é, a simplicidade das coisas são tão lindas e ricas que devemos dar mais valor a elas. Isso serve para romances não complicados. Vamos ficar com alguém que nos faça rir, e vamos deixar o tempo mostrar o quanto ela será importante. Se não der certo, não tem problema. A vida tá aí para aprendermos com ela, vamos deixar que ela se torne a experiência e não vamos nos deixar levar pela tristeza e depressão do cotidiano. Não deu certo? Existem bilhões de pessoas mundo afora, uma hora essa pessoa chega.

Vamos responder àquelas perguntas com a mesma facilidade que tínhamos na época, e viver intensamente o agora, pois isto é o mais importante.

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2 comentários em “Antigamente, era mais fácil amar?

  1. “Vamos ficar com alguém que nos faça rir, e vamos deixar o tempo mostrar o quanto ela será importante. Se não der certo, não tem problema. A vida tá aí para aprendermos com ela, vamos deixar que ela se torne a experiência e não vamos nos deixar levar pela tristeza e depressão do cotidiano. Não deu certo? Existem bilhões de pessoas mundo afora, uma hora essa pessoa chega.”

    Exatamente pelo que eu to passando na vida agora. Inicio de relacionamento e eu to num desespero louco pra colocar rótulos, e saber onde vai dar. PRECISO de paciencia!

    1. Sabrina, digamos que eu esteja em algo parecido também heheheheh, e posso dizer já me ferrei muito por conta de rótulos. Infelizmente ou felizmente nossa vida é muito exposta nos faces da vida e isso acabou me ensinando que pra ser feliz com alguém não preciso ficar mostrando para os outros ou criar rótulos. Essa é a minha primeira experiência que estou deixando as coisas acontecerem, estou muito feliz e acredito que é o que realmente importa. Se não der certo, tem um mundão lá fora. Tenha paciência e uma coisa, nem se preocupe tanto com isso, aproveite cada momento que você vai ver que tudo valerá a pena.

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