Insira aqui um título sobre DR

Por: Pedro Augusto

Encontrar um título para esse texto não é tarefa fácil. Vocês vão me ajudar um pouco. Vou falar sobre brigas de casais, de um raciocínio para você avaliar esse momento com outros olhos, no fim, um pouco sobre amor. Claro que será um raciocínio que você poderá aplicar a brigas com mamãe, papai, irmão, cachorro, vizinho, ou alguma paixonite com algum software de inteligência artificial. Onde mora essa dificuldade? Na tentativa desesperada de fugir de um clichê, porém um clichê disfarçado é pior do que um clichê legítimo, como uma gordinha tirando foto somente do rosto para o Tinder, ou um cara inseguro demonstrando um deboche que não cabe em sua personalidade frágil. Enfim, aqui estão as gorduras e a obviedade do texto, vamos falar de discutir relação, e um pouquinho sobre amor.

Todas pessoas as pessoas no planeta chamado relacionamento já discutiram a relação em algum ponto e sabemos que essa é uma armadilha letal para a conjuração do temível… fim. Nem tão temível assim, se for essa a razão da discussão, ainda que os argumentadores não saibam que eles o desejam no fundo do coração. Hum, acho que peguei os senhores agora, “ainda que não saibam”. Tudo bem. Respondam a seguinte pergunta: “você consegue verbalizar e entender todos os sentimentos, emoções, desejos, necessidades que percorrem a sua cabeça?”. Meio pesado? Tentem essa: “você se entende por completo?”.

Já vou me adiantar, como conheço quem são, humanos, meros mortais como eu, a resposta é um categórico “não”. Você não se entende por completo, e não, você não consegue verbalizar com a compreensão necessária os sentimentos, emoções, desejos e necessidades que possui. Eu digo de forma categórica, pois este é o pressuposto basilar para seguirmos adiante neste texto, é como um processo de auxílio para que a sua próxima discussão de relacionamento se torne mais tranqüila, compreensível.

É fato que quando casais começam a debater o liame para virar uma verdadeira batalha é muito curto, há uma linha tênue entre o “debate” e a “batalha”. A importância de ressaltar isso, pegando ainda os dizeres acima, reside na dificuldade extrema de dar nomes aos bois, leia-se, nome as coisas. “Meu bem, precisamos conversar sério hoje. Quero decidir se vamos passar o Natal nos meus pais ou nos seus”, diz um pólo da discussão. Se o desejo da pessoa já estiver estabelecido, “querer passar o Natal na casa dos pais dele”, a menção a uma conversa não será a melhor pedida, porque não serão conversados os termos e sim, serão propostos os termos da negociata. Há uma diferença ao calibrarmos a nossa mente para uma conversa, ou para uma ideia a ser proposta, no português são quase sinônimos, perceberam?, mas na prática do relacionamento não. Digamos que o parceiro caminhará pelo lado contrário, “quero Natal nos meus pais, não com os seus”, o quê desencadeará no outro? A ânsia de defender seu ponto de vista, normal, tudo bem, certo? Hum, vamos recapitular brigas dos papais, das mamães, das namoradinhas, dos ex-namorados, e prever o final desse diálogo, pressupondo que nenhum dos debatedores é Sócrates, ou alguém mais sábio ou altruísta… Virará uma guerra entre, “eu defendo isso e você defende aquilo”.

Pegando esse exemplo, e usei um desejo básico, vocês podem substituir pelo que quiser, o quê temos no diálogo fictício? Adianto que seguirão vários argumentos lógicos de ambos os lados, porém o quê existe por detrás é o chamado desejo (ou vontade). No frigir dos ovos, ao discutirmos relação com alguém toda a comunicação ali exercida será de cunho emocional, não lógico. Nem entrarei no universo “feminino” e “masculino”, permanecerei no campo de distante neutralidade. Emocional, pois argumentos lógicos não são o suficiente para despertar desejos. Faz sentido, não faz?

Dando continuidade ao diálogo apenas para ilustrar que contra argumentos lógicos, qualquer argumento emocional ganha de lavada. “Amor, seus pais moram no Acre, nós no Rio Grande do Sul, eu trabalho no dia seguinte”. Lógica, dificuldade de deslocamento e obrigação contratual com seu emprego. “Olha aqui! Se você não gosta da minha mãe, pode falar! Eu já sei! E no Natal passado você ficou de cara fechada, eu lembro. Eu tenho saudades deles”. Há lógica aparente, mas é o sentimento de amor pelos pais, o desejo de vê-los, e a picuinha básica de todo relacionamento. Para o segundo indivíduo, há a necessidade de suprir tais desejos, causados pelos sentimentos, que culminarão em emoções: 1) boas se o outro aceitar a proposta; 2) ruins se o outro recusar. Ficou mais claro a distinção dos argumentos? Adiante.

Todo o exposto até aqui foi para ilustrar que uma discussão de relacionamento quase nunca é uma argumentação lógica, não é um silogismo, uma matemática crua, é sim uma comunicação emocional. Agora peguem a pergunta novamente, e a resposta negativa, que traduz no seu desconhecimento pessoal e de suas emoções, sentimentos, desejos e necessidades. Adicione uma pitadinha de outro indivíduo que também se desconhece. Qual o resultado? Ou uma autodestruição fenomenal, ou uma construção do bom senso.

É notório que bom senso falta mais que luz em dia de chuva. Essa necessidade de autoconhecimento é como uma arma de sobrevivência e ajuda muito a dar nome as coisas. Amor, por exemplo, não pode ser confundido com respeito. Animais diferentes, frutas diferentes. Cachorro não é gato. Pêra não é maça. Exemplos. O camarada está brigando com a namoradinha, que ele ama, mas que o irrita profundamente, num momento de cólera, daqueles bem raivosos, o cara lança, “ah, some da minha vida”. Ele deixou de amar a garota e está pronto para a vida sem ela? Não. Este foi um ato desrespeitoso, não desamoroso. “Mas o amor não sobrevive sem respeito”, diz o leitor mais apressado, e a fruta não existe sem a árvore, o que não faz da fruta a árvore. Entenderam? Qual a lição útil do namorado nervoso? A mocinha se responder, “você não me ama mais!” (segue o pranto), está se equivocando e clamando por algo que já tem, o que é inútil, seria mais adequado, “você não me respeita!” (segue o pranto). Neste exemplo, a mocinha pode cobrar sim do nervoso mais respeito, pois o amor ele tem aos montes. Ajudaria até o rapaz a crescer.

Feitas esses esclarecimentos, sempre lembrando aos jovens leitores que são exemplos fictícios e considerações que comportam os mais variados tons, fiquem a vontade para sambar nesse território.

“Quando se trata de amor, você não tem que procurar razões e motivos. É clichê? Sim. Mas a base de tudo é esquecer o “Jogo”, e começar a se dar. “Jogo” é para fisgar, manter, mas não para amar”. Este foi um comentário meu em auxílio a um rapaz na dúvida se ama ou não a sua recente namorada, auxílio requisitado no site do escritor Neil Strauss. Nele eu tentei esclarecer objetivamente a dificuldade das pessoas em dar nomes aos tais bois dali de cima, sentimentos, emoções, desejos e necessidades. Recapitulando para encerrarmos, quando uma pessoa me fala, “estou apaixonada”, logo eu rebato, “me fale por quê?”, e ela responde, “precisa saber?”. Claro que sim! Não é um estado puro e sem sentido, como considero o amor, não estou sendo poeta, isso é um fato, mas não existem palavras para expressar a EMOÇÃO causada pelo SENTIMENTO amor. No estado “apaixonado”, estamos ainda no campo das vontades, levemente mais superficiais, o que não quer dizer que é algo negativo, só não é “esse mistério todo”.

Enfim, a comunicação emocional (discussões, conversas, brigas, arranca rabos, etc.), é como o dinheiro, é ferramenta para o fim, não o fim em si. É algo superficial, porque tem que ser, pois o profundo vem depois, em um outro nível que escapa até mesmo à inteligência.

Foto ninho 1

Pedro Augusto, escreve no Mente De Um Zé Que Se Chama Pedro (www.mentedoze.blogspot.com). Adoro escrever sobre as verdades de todas as coisas, nem que sejam as minhas próprias verdades.

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