Big, big girl in a bad, bad world

O mercado já tem percebido as revindicações femininas, mas tudo ainda caminha a passos de tartaruga. Uma parcela da sociedade ainda precisa manter seus padrões impostos contra a pluralidade de formas do corpo das mulheres. Onde quero chegar com tudo isso? Simples, já é mais fácil que antes encontrar roupas em modelos plus-size. Mas só isso: mais fácil que antes. Se antigamente era necessário passar pela sessão de tortura no provador (toda big girl conhece esse processo: a vendedora te dá a roupa no maior número que tiver na loja e você vai lá sofrer enquanto tenta fazê-la passar ou pelas suas pernas muito grossas ou pelo seu torso enquanto sacrifica os seios, apertando-os), hoje já encontramos peças de vestuário que nos são suficientes. Só tem um porém: ou se paga HORRORES em lojas especializadas ou então só se encontra roupas em araras e mostruários escondidos no fundo das lojas de departamentos. E nunca são as roupas que desejamos, aquelas em comerciais de tevê ou que vemos quando folheamos o catálogo. São modelos folgados, cortes tradicionais e feitos para esconder, como se todas as big girls devessem ter vergonha do corpo. Desculpa, mas não tenho mesmo.

Onde encontro?
Onde encontro?

As indústrias de moda tem um quinhão especial nisso, fazendo modelagens extraordinárias para mulheres idealizadas com seus corpos esquálidos. Para moldes maiores, roupas modestas e sem graça. Ou então, você morre numa grana enorme por uma roupa que será usada, no máximo, duas estações (felizmente, podemos salvar peças básicas. Mas bem que poderíamos ter acesso a elas por preços módicos, não?). Entendemos o motivo da diferença de preço pela necessidade de mais tecido e linhas, mas não precisa ter uma disparidade tão exagerada. Sem contar a diversidade de padronização: eu, por exemplo, visto desde o 46 ao 52. Vai entender. Tudo parece indicar que big girls precisam de cobertura, não de gostar do que vestem, quando deveria ser o contrário. Em um país no qual mais da metade da população está acima do peso, não me parece certo confeccionar a maioria dos moldes para tamanhos PP, P e M, não é?

Já ouvi toda a cartilha de pseudo-elogios que se pode imaginar, como “mas você tem o rosto bonito”, “mas você não é gorda, é cheinha” e todas aquelas coisas que são ditas e que fazem com que a gente se sinta mais mal que bem.  Eu sempre fui a maior da turma, sei muito bem qual meu espaço no mundo (apesar de ser estabanada HUE) e gosto muito do meu corpo do jeito que ele é. Faço academia, mas não persigo medidas utopicamente perfeitas. Quero mais é poder ter fôlego pra poder dançar. E também não me privo de nada (mas obviamente, não abuso).  Quando se tem mais de 1m80, quase três casas decimais no peso e quase três décadas de vida, é importante ter autoestima e saber que vão querer te derrubar de alguma forma ou de outra. Como a aparência é o que mais se destaca, é esse o modo que eles irão tentar.

Big girls também querem se vestir bem.
Big girls também querem se vestir bem.

Eu realmente gostaria que as lojas especializadas em tamanhos grandes investissem mais em propaganda (e em ofertas também, #VaiqueCola) e que as lojas de departamentos soubessem que o que queremos são mais peças ofertadas pensando em nossas medidas. Big girls também querem se vestir bem. Suas peças principais também podem ser fabricadas em números maiores, certamente se esgotarão das araras em pouco tempo.  Pensem com carinho em quem não veste 38 (e não tem nenhuma vergonha disso) e terão clientes muito fieis.

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2 comentários em “Big, big girl in a bad, bad world

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