A aventura de ser uma aluna CSF

Por: Thais Toledo

Me pediram para escrever um texto sobre a experiência do Ciência Sem Fronteiras (CSF). Mas, poxa, um texto é muito pouco. É muito pouco pra explicar como eu já superei cada uma das barreiras que eu mesma tinha construído pra mim no Brasil. É muito pouco para falar que meus sonhos eram pequenos perto do que eu posso realizar e já realizei. É muito pouco para explicar como é tudo isso que tem acontecido comigo no último ano.


O CSF devia vir com um aviso: proibido para os fracos de coração. Desde o primeiro e-mail, dizendo que eu tinha sido aceita no programa, eu tenho vivido a experiência mais linda da minha vida. Ela começou no Brasil com os preparativos: Arrumar mala e documentos, se despedir dos amigos, da família, do namorado, do confortável e do conhecido. Depois disso, embarcar para a Inglaterra e vir morar em Guildford, uma cidade à 40 minutos de Londres, sozinha, num país distante.

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Minha segunda casa (não a cabine, é claro, mas vocês entendem)

 

O CSF devia vir com outro aviso: proibido para os de mente fechada. Morar em um país diferente significa viver em uma cultura diferente, ou seja, pessoas que falam, se vestem e se comportam de forma diferente; mercado com comida diferente e lojas com roupas e sapatos diferentes; e um clima que se comporta de uma maneira totalmente irritante, quero dizer, diferente.

Aí um dia você acorda e vê que seu vizinho chinês guarda o camarão fora da geladeira e cozinha coisas que você nunca viu de uma forma que você nunca imaginou, que ele come de boca aberta e deixa sempre alguma coisa suja na cozinha; que as pessoas são honestas e procuram entrar em contato com você quando encontram sua carteira no ônibus; ou que as pessoas não se sentem na obrigação de ser educadas, elas simplesmente são ou não.

O CSF devia vir com mais um aviso: proibido para quem não sabe cuidar de si. Porque você fica doente, feliz, triste, com fome, com frio e com saudade, sem ter mamãe nem papai pra pedir ajuda. E você percebe que nunca realmente cuidou totalmente do seu próprio nariz, nunca lavou uma cueca/calçinha e não sabe o que fazer quando passou o primeiro mês e você gastou mais do que devia e ainda quer viajar no final de semana; ou você festou muito e esqueceu de estudar e agora está em apuros com a Universidade.

Legenda: Mochilando pela Europa
Legenda: Mochilando pela Europa

Mas o CSF não vem com nenhum desses avisos. Porque se você é fraco de coração, tem a mente fechada e não sabe cuidar de si, logo logo o intercâmbio te ajeita. Você fica mais forte do que nunca, e se entende muito melhor. Você abre sua mente e passa a aceitar tudo com muito mais facilidade (e para de julgar os ingleses por correrem para o sol toda vez que ele aparece porque agora, você também faz isso). Você se torna uma pessoa independente, cuida de si, do seu dinheiro e ainda tem tempo de sobra.

 

Encontrando minha amiga Nessie no Loch Ness
Encontrando minha amiga Nessie no Loch Ness

 

Desde que eu cheguei aqui, 6 meses atrás, já viajei para muitos lugares incríveis e conheci pessoas maravilhosas, realizei muitos sonhos, incluindo o de ver a Aurora Boreal e caçar o monstro do lago Ness. A experiência é inexplicável e vale muito à pena! Tudo que você precisa é ter um pouquinho de coragem e enviar aquele primeiro formulário do processo. Depois disso, fica tudo mais fácil, muito mais divertido e totalmente inesquecível.

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Estudante de veterinária no Brasil e de biociência veterinária (e turismo) na Inglaterra.

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2 comentários em “A aventura de ser uma aluna CSF

  1. Uma pena que o governo limite os cursos para os quais se destinam o programa CSF.
    Mais pessoas poderiam sentir e vivenciar toda essa experiência se não fossem esses critérios, que, ao meu ver, são injustos.

  2. Aêeeee Thais! adorei o texto! >.< Realmente passou como é de fato ser um intercambista e os requesitos necessários para tal. Não é fácil mas vale muuuuuuito a pena.
    Beijos!

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