Coisas sombrias

 Pablo Neruda, no Soneto XVII, escreve: “Te amo como se amam certas coisas sombrias”. Confesso que não conhecia esse poema até uns dias atrás, mas a curiosidade foi tanta que ao ler essa frase tive que o pesquisar. Afinal, sem nem mesmo ler o Soneto, me identifiquei. Pelo simples fato de que eu te amo como se amam certas coisas sombrias. Você ao ler isso deve estar se perguntando como é esse amor…

sombrias

É simples e complicado ao mesmo tempo, pois esse é um amor calado, meio escondido, daqueles que não confesso nem a mim. Que apenas sonho, guardo, silencio, tranco a sete chaves e as jogo fora. É aquele amor que não se pode materializar, realizar, se foge. Corre pra longe, não quer por perto ao mesmo tempo quer. Um caos que nasce no coração, mas bem no fundo chegando até mesmo a tocar a alma. E nesse toque não há escapatória, eu me entrego, caio de cabeça, de corpo, de alma, de coração de mente. Me entrego por completo sem me entregar.

Mas como isso é possível? Me entrego para um amor secreto, sem que você saiba. Não o lhe dou, não lhe confesso… Mas eu me presenteio com ele, o entrego para os meus sonhos, os meus desejos. Sinto que seria uma traição dividi-lo com mais alguém, mesmo com você, que é a pessoa que me faz sentir tudo isso.

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No fundo o fato é que eu não queria esse amor, por isso me esforço na tentativa de me fazer parecer forte, de fingir que não sinto ciumes, que sou de todos e menos sua. Que serei de todos, mas jamais sua. E que não me importo nem um pouco se quiser sair com todas e menos comigo. Deixo livre aquilo que amo, pois assim lhe dou motivos para lembrar, para querer ficar… Porém no final aqui estou sozinha a pensar e desejar ter minha coisa sombria ao meu lado.

Amar assim talvez seja gostar de sofrer, mesmo que se sofra calada. Sou masoquista? Não, eu não me vejo dessa forma. Não nesse amor. A realidade é que esse coração tão calejado já não sabe amar de outra forma. Foi tantas vezes ferido que prefere a opção de não se deixar levar ou viver o que quer. Não cria expectativas, não alimenta esperanças e tenta sufocar o amor escondido aos poucos, quem sabe ele morre logo e eu volte a ser livre?

Porém, com todo esse tempo que já passou, esse amor obscuro continua aqui, queimando em meu peito. Trazendo-lhe em meus sonhos, como se fosse um tapa na cara, a prova do crime perfeito. E ao misturar o álcool e todo essa confusão de sentimentos, meio embriagada por todas essas drogas deixo as palavras escaparem pelos meus lábios e digo: “Te amo!”, só que antes de continuar a frase pego no sono.

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2 comentários em “Coisas sombrias

  1. certos amores só duram por um tempo, o meu durou por quase 17 anos…ainda vive no meu peito, cristalizou…o porto seguro virou sombrio…deserto, gélido…e dai eu descobri que o excesso de calor humano era meu, nao deixei de amar o iceberg, mas nao cabe mais na minha vida, eu mereço o sol!

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