Crise Existencial

Ela estava no quarto, observava o que tinha ao redor. Seus livros a rodeavam na cama. Estava frio mas ela não sentia frio. Sentia apenas vontade de fugir, sumir. Queria tudo e sonhava com tudo, mas nem ela sabia o que queria. Apenas sabia que o querer já era um grande passo para alguma conquista.

Do lado de fora da casa havia muitos sons, músicas de todos os gêneros e risadas de descontração. Mas ela não estava descontraída e/ou se divertindo. Estava pensando em como sua vida se tornou vida. Como ela chegou até ali e como ela teve suas conquistas. Mas em vão. Não conseguia encontrar razões para ter tido aquela atitude no ano passado.  E mais, não conseguia se lembrar de como aquela jovem mulher se tornara mulher.

Os anos passaram, as coisas mudaram, só o que não mudaram foram as folhas velhas do caderno, vulgo diário. Muitas ideias para uma criança de 9 anos, muitos sonhos que não foram concretizados, como o beijo naquele rapaz que era o amor da vida dela. Talvez hoje seria possível, mas como saber, nem ao menos o nome ela se lembrava. Apenas se lembrava que ele era o cara mais lindo na face da terra, mera ilusão.

Com o tempo ela percebeu que amores se criam, mas nem sempre duram toda uma vida. Ou talvez durem, mas como saber se nenhum deles duraram o tempo suficiente para ter a certeza. Com o passar dos anos ela viu que era mais importante ter uma noite de prazer do que ter um namorado. Na verdade os namorados mostraram que sexo era melhor do que ficar de conchinha a noite toda.

Mas não era culpa dela estar ali, querendo sumir. Ela queria estar com alguém, mas estar com quem? Não conseguia criar vínculos com ninguém. As amigas, estavam em casa com os boys magias delas. E ela? Estava com seus livros, com as paixões arrebatadoras, com os amores impossíveis mas possíveis no final. Apenas ela não tinha um amor.

Mas não era sobre amor que ela se apavorava. Era sobre o tempo que estava passando. Daqui há alguns anos ela já terá seus 30, e o que ela fez. Será que ela conseguiria cumprir com seus objetivos? Era uma dúvida que era pior do que estar ou não apaixonada. Ela não saberia dizer se ficaria na cidade até lá, ou se ela estaria viva até lá. Não saber o que poderia acontecer com seu futuro a intrigava mais que imaginar o que acontece com o milho para virar pipoca.

E assim, nos devaneios de sua mente, saiu na madrugada. Queria refletir suas perspectivas e imaginar o que faria. Não tinha muito o que fazer. Apenas sabia que precisava seguir em frente. Sonhando mas fazendo coisas para concretizá-los. Assim o faria, mas por ora, sentou no meio fio, observou o sorriso da lua minguante e abriu sua garrafa de vodka. “Amanhã, pois hoje quero apenas beber”.

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