Entre amélias e afugentadoras de homens, onde está o equilíbrio?

Não gosto muito desses papos defensores de gênero, feminismo pra cá, machismo pra lá.  Sou dessas sonhadoras que acredita que um dia vamos ser respeitados pela condição de sermos seres humanos civilizados, independente de gênero, raça, credo, etc.

Porém, circulou pela internet há alguns dias um texto que falava sobre “o tipo de mulher que os homens não querem” e que falava basicamente como os homens não estão preparados (ou interessados) na mulheres independentes, donas do seu nariz, que trabalham, estudam, e não nasceram pra ser donas de casa e etc.

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De forma alguma minha forma é criticar o texto e a autora. Pode der sido baseado em sua experiência de vida, ou das amigas, não importa.

O que é um pouco intrigante é essa postura que muitas mulheres começam a adotar: Saímos há algumas décadas de uma geração de “amélias”, e passamos a ser “o tipo de mulher que os homens não estão preparados para assumir”. Acho bem estranho. Eu mesmo já ouvi isso muitas vezes de amigas: “Ah, os homens tem medo de mulheres como você. Eles não estão preparados para assumir alguém que é dona do próprio nariz”. E sempre achei meio auto-enganação querer acreditar nisso. Não vamos generalizar, afinal, nem todas pessoas são iguais e nem todo mundo pensa assim. Apenas uma observação sobre esse tipo de pensamento.

Sinceramente? Acho que algumas vezes estamos muito mais criando barreiras em torno de nós mesmas, criando obstáculos para que os homens não se aproximem de nós, criando mecanismos de defesa, e confundindo isso com ser fortes e independentes. Temos vergonha de assumir nosso sexo frágil. Sabe aquela história de que “homem não chora?”. Parece que a moda da vez é a “mulher não chora”. Temos que parecer fortes, vestir a roupa de Wonderful Woman, e parecer invencível. E achar ainda que a é culpa do homem que é incapaz de entender isso.

Me parece que nessa história toda, de homens, mulheres e relacionamentos está faltando equilíbrio, maturidade emocional. Me parece que estamos metendo os pés pelas mãos, e é mais fácil culpar o outro que não entende nosso jeito de ser, o estilo de vida, nossas manias e costumes, do que refletir sobre nós e nossos sentimentos, anseios, angústias e necessidades. Está difícil de entender nosso papel nas relações (e não só entre casais) e lidar com isso de forma madura, entendendo as diferenças, encaixando-se nas complementariedades. Está faltando cada um ser mais responsável por seus próprios atos, compreender o que se passa em nossas cabecinhas, e em nossos corações.

Não acho que são os homens que não estão preparados para aceitar mulheres independentes e seguras (que como falei, muitas vezes nem são), que a culpa é das mulheres que não querem ser donas de casa,  ou que tenha que ser assim ou assado sob o ponto de vista de qualquer estereótipo que criamos.

Apenas acho que as vezes olhamos pela perspectiva errada, um tanto míope, e na maioria das vezes favorecendo a “verdade” que nos convém, que nos machuca menos a aceitar. Às vezes, é mais fácil transferir a responsabilidade de uma frustração no outro, no sistema, na geração que não está preparada para aceitar um novo modo de vida e escolhas, do que encarar nossos próprio medos, sentimentos, e nosso eu de verdade.

Como olhar do jeito certo? Bom, eu não sei. Eu também tenho meus medos, minhas frustrações, me decepciono e tento olhar de uma forma que talvez seja menos dolorida pra mim. Também crio meus mecanismos de defesa e de não aproximação. Então, não, não sei como fazer. Porém, é algo que busco compreender e que me questiono cada vez que leio essas ~verdades~ que circulam na internet e se espalham como se fosse a regra, ou quando me deparo com situações assim na vida. Penso que esse seja um passo importante.

Só não acho que o jeito mais adequado é transferir a responsabilidade para os outros e achar que se você não encontrou uma pessoa bacana, é porque os outros não são capazes de te entender, te aceitar, ou te amar. Talvez falte olhar pras suas expectativas, para as suas exigências, o que você espera de um relacionamento, e ver se não é uma idealização, algo que está mais na sua cabeça e nos seus contos de fadas. E entender o que você gosta, o que quer, o que é importante. E entender o outro também. Talvez falte olhar pra você, com mais cuidado, amor e consciência.

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6 comentários em “Entre amélias e afugentadoras de homens, onde está o equilíbrio?

  1. Perfeito Debora! Muita lucidez e coragem em suas palavras!

    A liberdade de que todos dispomos as vezes assusta, ficamos a deriva de desculpas e a procura de recipientes para as nossas frustrações. Assim como, sempre tentando racionalizar àquilo que não entendemos à nossa própria maneira idiossincrática de entender a vida.

    Contudo, conheço muitos homens, pelo menos da minha geração (3.5) que ainda foram educados aos moldes do mundo mais machista e que não conseguem entender, captar e se adaptar a todas as mudanças culturais que freneticamente deixam os códigos de conduta mais frouxos. Sempre quando hesitamos com nossas certezas, acabamos por tentar distorcer a realidade para que esta seja congruente com nossas cognições!

    Logo, a responsabilidade é algo igualmente ausente nos dias de hoje, se conjugarmos a falta de maturidade, a ansiedade, o modo como todos estamos sendo criados, por nossos pais e pelo mundo, creio que a fórmula seja receita para a infelicidade! Estamos perdendo aos poucos nossas capacidades de resiliência, estamos TODOS trocando de parceiros como trocamos de camisetas, estamos virando produtos emocionais/sexuais ao invés de humanos em reciprocidade emocional.

    Enfim, mais uma vez PARABÉNS!

  2. Adorei o texto, concordo plenamente.
    Falta maturidade emocional, ética, equilíbrio, paciência. Só devíamos procurar um relacionamento sério depois de ter conquistado essas virtudes. Num relacionamento é como as emoções mas de forma racional, não é pra qualquer um, é preciso ter auto-controle.
    Se um cara tem medo de uma mulher porque ela é independente é porque o cara ainda é muito dependente e inseguro, ainda é um menino.
    Homens não tem medo de mulher independente, homens procuram mulheres independentes. Afinal o que nós homens queremos é uma PARCEIRA, isso é bem diferente de doméstica, ou filha.
    Parabéns pela ótima qualidade de textos mafagafas.

  3. Ótima reflexão Débora. Me chamou a atenção o título do texto que vc citou no texto “o tipo de mulher que os homens não querem”… já vi outros parecidos e também sobre “o tipo de homens que as mulheres não querem”.

    No fim das contas, (e concordando com vc) acho que a melhor frase pra relacionamentos afetivos e qualquer outro tipo de relacionamento, seria:

    “Como posso me tornar o tipo de pessoa que outras pessoas gostariam de estar perto?”

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