A doce saudade

Nos últimos anos ela pegou o costume de recorrer as cartas para saber como seria o futuro de suas paixonites, principalmente depois da decepção das decepções. Segundo o que contava as amigas era pra não precisar se dedicar aquilo que não estava destinado a dar certo. Não queria amar de mais, se envolver de mais, se entregar de corpo + alma + mente + coração com alguém que não valorizaria aquilo, ou que fosse fugir na primeira oportunidade. Afinal não era nem um pouco justo se dedicar tanto a algo que não fosse lhe trazer benefícios e sim lhe causar um tempo indeterminado de lágrimas caindo.


Agora estava ali, completamente apaixonada… Amando como nunca amou na vida, sentindo com todo o coração que daquela vez era diferente. Se permitiu até mesmo fazer planos, coisa que ela nunca fazia. Já sabia o que queria pelo resto da vida e o mais gostoso é que ele não pensava duas vezes ao retribuir esse amor… Os planos não eram feitos na cabeça dela, mas eram feitos em meio a conversas intermináveis, regadas a carinho, beijos, arrepios e mordidas. Não criava expectativa, porque não era necessário, ele sempre dava um jeito de fazer tudo ser muito melhor do que o que ela poderia imaginar ou sonhar.
A pequena sentia que ele seria aquele pra quem diria o “sim”, coisa que ela nunca se imaginou falando. Achava que isso não existia, não se deixava sonhar em viver “feliz pra sempre” porque era algo dos contos e não da vida… Mas agora, conseguia ver isso acontecer com facilidade. Conseguia olhar pro futuro e imaginar uma casa, com filhos, cachorro e ele ao seu lado. Ela sentada na rede lendo, enquanto ele fazia o jantar, as crianças correndo no quintal com o cachorro.

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Ia até um pouco mais longe, já que o futuro deles não tinha data de vencimento, era para sempre… Como ele mesmo disse, os dois velhinhos, juntos, terminando a vida, tomando vinho em Paris.O mundo pertencia aos dois, o passada não importava, nem os medos, traumas, feridas cicatrizadas… O que importava era a história que os dois escreveriam juntos, cada um um pedacinho…

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Como pode pensar e sentir tudo isso logo ao abrir os olhos. Tinha acabado de acordar, olhava pro teto e pronto… Já estava pensando em tudo que construiriam e viveriam juntos. Ao ver o raio de sol entrar pela janela e refletir o azul do céu lá fora, lembrou-se imediatamente daquele olhos tão intensos, profundos, brilhante, cheios de sentimentos. Eram tão azul, da cor do mar… Tão profundos quanto o oceano, tão brilhantes quanto as estrelas no céu… E ficavam ainda mais intensos enquanto olhavam diretamente para os delas. Ao mesmo tempo que o toque daquelas mãos, tão macias, a deixavam arrepiada… A voz, parecia uma música, enquanto ele dizia que a amava. O coração dela batia tão forte e rápido que as vezes ela achava que ele poderia parar. Todos os sintomas que ela causava nela, e nesse momento o mais visível era a saudade.
Foram até aquele momentos, três dias, mas pareciam uma vida inteira sem ele, algo que ela quase não suportava de tanta dor. Preferia sentir a dor do corte em seu braço, dos que a dor da saudade…

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