Precisamos conversar

A conversa que vou ter agora é com você que tomou um pé na bunda por quem você estava apaixonada, ainda ama muito e está sofrendo. Sim, apaixonada. Não vou escrever apaixonada(o) pra dizer que serve para os dois, por que nós sabemos que serve para os dois sexos, não é? Mas é um saco ter que fazer isso no texto inteiro só pra parecer politicamente correto, igualitário, não machista ou outro tipo de preconceito. Gostaria também de deixar claro que só quero te ajudar, não é nada pessoal, mas serei franco e direto. Sim, você vai ficar com raiva de mim, por que a última vez que você ouviu um “precisamos conversar” a coisa não terminou bem pro seu lado não é? Você precisa tomar uma decisão depois que terminar de ler. Então tente focar na mensagem e não no mensageiro, ok?

ok ok

Se você não quer ajuda nenhuma, não tomou nenhum pé na bunda recentemente ou só está lendo até aqui por que ficou curiosa pra saber como isso termina? Sinta-se a vontade pra ler esse texto ciente que não é pra você e tenha um ótimo dia. Vou começar com uma história fictícia que acontece de forma similar todos os dias com outras pessoas no mundo inteiro… Como essa história não se parece nada com o que já aconteceu na sua vida ou de pessoas próximas e pra você não achar que perdeu seu tempo lendo até aqui, vou te ensinar o jeito certo de fazer coraçãozinho usando as mãos:

Bum dia S2

Um dia você acorda pela manhã e como de costume toma um banho, escolhe uma muda de roupas e toma seu café apressada enquanto dá uma última conferida nas atualizações do Facebook e uma espiada nas mensagens no seu Whats antes de entrar no carro e sair para o trabalho. Tinha tudo pra ser mais um dia comum da sua rotina semanal, se não fosse por uma mensagem com duas palavras: “Precisamos conversar”. O problema dessas duas palavras é que elas têm o poder de alterar o seu dia  quando ditas assim sem contexto, principalmente se o autor da mensagem for alguém com quem você está se relacionando.

“Precisamos conversar” pode significar tanta coisa, pode ser que esteja precisando de um conselho, pode ser que queira decidir onde passar o próximo feriado, pode ser que você tenha esquecido algo que havia prometido, pode ser que tenha surgido um convite para trabalhar em outro lugar, pode ser tanta coisa que você ignora a mensagem que vem em seguida: “…nos falamos a noite”.

Você sabe que não deveria dirigir com o celular na mão, mas não resiste e manda uma pergunta com ar despretensioso: “Conversar? Claro, aconteceu alguma coisa?”. É lógico que aconteceu alguma coisa, mas enquanto você não receber uma resposta direta e definitiva, seu coração ficará acelerado, seu olhar ficará perdido enquanto você vasculha todo seu arquivo mental em busca de respostas, sempre imaginando o pior. E entre um pensamento e  outro você tenta se tranquilizar “não deve ser nada de mais”. Mas a verdade é que a gente sabe, nós sentimos quando o outro está diferente e arredio.

Poderia ser apenas uma crise onde uma DR (Discutir a Relação) colocaria uma pá de cal sobre o problema e tudo terminaria em um bom sexo selvagem e voltaria ao normal. Poderia… mas sabemos que, quando alguém toma coragem de enviar um “Precisamos conversar”, a decisão já havia sido tomada e a frase escolhida pro começo do fim é “andei pensando e acho que precisamos dar um tempo”.

Quando se está perdidamente apaixonada, essa frase é interpretada ao pé da letra, por que na sua cabeça e no seu coração, dar um tempo é dar um tempo bem curto, tão curto quanto for possível, tão curto quanto um mal-entendido que pode ser esclarecido, tão curto quanto o tempo que dura o último cigarro do maço num momento nervoso, tão curto que… Você não quer dar tempo porra nenhuma!!!

Sem saber direito o que fazer, você resolve buscar o ombro de alguma amiga e desabafar. O enredo é sempre o mesmo, começa com elogio a si próprio: “Eu me dedico tanto a ele, sou uma pessoa boa, não pego no pé dele, ele sai com os amigos, vai jogar futebol, não sou ciumenta, ele tem liberdade pra fazer o que quiser…”. Em seguida vem o momento revolts: “Tempo pra quê? O que precisa ser pensado? Tá se engraçando com outra, só pode… bem que eu notei que ele andou curtindo as fotos de uma garota que não conheço, vou descobrir quem é essa vaca!”. Abre parêntese (Já ouvi essa frase sair da boca de algumas amigas minhas, por isso resolvi reproduzir aqui. Nunca chamaria ninguém de vaca e tenho certeza que você também jamais diria isso, não é? ; ) Fecha parêntese.

Levar um pé na bunda, quando se está perdidamente apaixonada e com a convicção de que se dedicou e fez tudo por essa pessoa, causa um inevitável sentimento de revolta e na maioria das vezes tenta-se encontrar um motivo, algo que explique o que deu errado, e não raro, queremos achar um culpado (leia-se culpada) para despejar todo o ódio e frustração desse mundo.

Sabe por quê?

Pior do que ser trocado por alguém é ser trocado por ninguém… Porque nesse caso, você teria que admitir que talvez o problema seja você!

Enquanto você lia a frase acima, seu cérebro já construiu todo tipo de desculpas e explicações para te convencer de que não estou falando diretamente com você, por que você não é assim. Inclusive agora você está indignada e me acha um insensível por generalizar as atitudes e decisões das pessoas, até por que realmente ele pode ter te trocado por outra. Mas em “99%” dos casos não é assim. Quando alguém decide romper é por que já não quer mais há algum tempo… Pode até ficar com  outra pessoa em seguida, mas como já disse antes, a decisão já havia sido tomada.

Só quem já foi rejeitado sabe o quanto dói. O sentimento de rejeição pode ser avassalador, não há autoestima que resista a rejeição, dói no corpo, dói na alma. Pior do que a dor da rejeição é o que vem a seguir… Você começa a sofrer!

“A dor é inevitável o sofrimento é opcional” – Carlos Drummond de Andrade.

“…Por que sofremos tanto por amor?

O certo seria a gente não sofrer, apenas agradecer por termos conhecido uma
pessoa tão bacana, que gerou em nós um sentimento intenso e que nos fez
companhia por um tempo razoável, um tempo feliz.

Como aliviar a dor do que não foi vivido? A resposta é simples como um verso:

Se iludindo menos e vivendo mais!!!
A cada dia que vivo, mais me convenço de que o desperdício da vida
está no amor que não damos, nas forças que não usamos,
na prudência egoísta que nada arrisca, e que, esquivando-se do
sofrimento, perdemos também a felicidade.

A dor é inevitável.
O sofrimento é opcional…”

Trecho do poema Definitivo de Drummond.

Você pode estar pensando agora: “Que lindo Drummond! Vou fazer isso e não vou sofrer mais”. Mas aposto que você já não lembra mais da frase “se iludindo menos e vivendo mais!!!” que está ali, bem no meio do poema de Drummond.

Sabe por quê?

Seu cérebro está equipado com mecanismos de defesa contra qualquer coisa que tente convencer você de que é preciso mudar. Não gostamos de mudanças, tudo dentro de nós luta contra mudanças. Gostamos da nossa zona de conforto. Nossa percepção fica bloqueada e não queremos desapegar. Seu cérebro acredita que seu caso é diferente,  é especial, seu  sofrimento é maior que o de outros e nada se compara. Gostamos de sentir pena de nós mesmos. Portanto, apesar de você afirmar que concorda e acha o poema bonito, na prática seu cérebro não acredita que a resposta possa ser tão simples como um verso.

Cérebro, cérebro, cérebro… Mas e o coração?

brain-and-heart

Bom, foi ele que te colocou nessa… Agora você precisa usar a cabeça pra sair dessa!

Não pense que sou um cara insensível e calejado por já ter vivido essas situações algumas vezes em minha vida… Na verdade, gostaria que alguém tivesse me dito isso ou chamado minha atenção quando eu era mais jovem, teria sofrido menos.

O que mais admiro no ser humano é que mesmo sabendo que a morte é certa, não desistimos de viver.
O que mais detesto no ser humano é que é o único ser vivo do planeta que sente pena de si mesmo.

Trecho da minha opinião não solicitada

Hoje eu sei que a felicidade nunca está na zona de conforto… A felicidade requer esforço, coragem e desapego. Sim, esforço. Se não for por você, que seja por outro motivo. Se você tem filhos, se esforce por eles. Se você tem pais que te amam, se esforce por eles, encontre algo que te motive a seguir em frente, um sentido pra sua vida. Sim, coragem. Por que a vida continua e o sentido da sua vida não pode estar em outra pessoa senão em você mesma e é preciso ter coragem para se conhecer e enfrentar a si mesmo. E sim, desapego. Não do jeito banalizado que aprendemos a usar a palavra desapego… Mas aprendendo a livrar-se de expectativas, livrar-se da obsessão de querer ser feliz a qualquer custo.

Segundo Viktor Frank, médico psiquiatra, filósofo, escritor, sobrevivente dos campos de concentração nazistas e um dos maiores homens que viveu no século XX, “Enquanto buscamos a felicidade, enquanto fazemos da felicidade uma meta, não podemos alcançá-la. Quanto mais a almejamos, mais ela se distancia.”.  Ou seja, a felicidade não pode ser perseguida, ela deve acontecer.

Posso te garantir que ninguém morre de amor e um pé na bunda emagrece! Era isso que precisávamos conversar. Agora, como disse lá no começo (pode conferir), você tem uma decisão pra tomar!

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3 comentários em “Precisamos conversar

  1. Nossa Paulinho concordo muito com vc, acho q as vezes precisamos de um empurrão p acordarmos, embora tenho minha filha q me motiva sempre, não é fácil aceitar q deixamos de ser amada, e como vc mesmo disse sobre a busca da felicIdade, expectativa q criamos sempre, acho q o jeito é ter paciência e muita fé mesmo…Rsss

    quando isto acontece a certeza q o pé na bunda emagrece rsss

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