Sobre liberdades

Um homem da aldeia de Negu, no litoral da Colômbia, conseguiu subir aos céus. Quando voltou, contou. Disse que tinha contemplado lá do alto, a vida humana. E disse que somos um mar de fogueirinhas. — O mundo é isso — revelou — Um montão de gente, um mar de fogueirinhas. Cada pessoa brilha com luz própria entre todas as outras. Não existem duas fogueiras iguais. Existem fogueiras grandes e fogueiras pequenas e fogueiras de todas as cores. Existe gente de fogo sereno, que nem percebe o vento, e gente de fogo louco, que enche o ar de chispas. Alguns fogos, fogos bobos, não alumiam nem queimam; mas outros incendeiam a vida com tamanha vontade que é impossível olhar para eles sem pestanejar, e quem chegar perto pega fogo. (Eduardo Galeano)

Dia 07 de setembro, dia da independência, que o senhor Dom Pedro I, gritou no Rio Ipiranga em 1822, já decoramos isso das aulas de histórias, um dia a mais no calendário para um feriado, determinando uma certa liberdade. Mas qual o conceito de liberdade?  Como Cecília Meireles nos cita: – Liberdade é uma palavra que o sonho humano alimenta, não há ninguém que explique e ninguém que não entenda. Não é o conceito dos dicionários, mas é poética, simples e muito complexa.

Do meu ponto de vista há pessoas de brilho intenso, dispostas a encarar meio mundo por sonhos despertos, não adormecidos. Não esperam, não voltam, seguem em frente, observando as ruas, os cantos, os alguens desconhecidos. Deslumbram-se com coisas consideras meras, sem valor, pequenas em uma cidade que não para, acinzentada de concreto. Não se trancafiam em quadrados pequenos, de uma falsa liberdade de prestações, de forma que se disfarça e os olhos atentos, se encontram perdidos em labirintos. Estar disposto a escutar, sem preconizar seu conhecimento por burocracias diplomáticas, entender sua necessidade de aprender e conhecer com o outro. Encaram suas jornadas de peito aberto, sorriso escancarado, não se submetem a medos ilusórios, padrões comprados, se desalinham nas retas e questionam a naturalidade das ordens. Despertam sorrisos escondidos em rostos endurecidos, de ter fé sem instituir deuses, de paz e bem com quem resolver trilhar seus caminhos.

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Não se sentem invejadas e tudo que conquistam, partilham. Deixam suas mesquinhices de lado, beijam e abraçam. Consideram o bom humor, de rir das desgraças como forma de entender que a vida é remendo de fatos e desenvolvem suas premissas com verdades puras com intuito e intenção.

Liberdade está interligada com o tempo, é preciso paciência e estar aberto as aprendizagens para compreender as amarras, as correntes invisíveis, de sentir, se sensibilizar. Uma posição carcerária é mais confortável, sem riscos  e medos, mas as pequenas sensações de ser livre, proporcionam significativas para a própria vida. Não somos totalmente independentes, mas há pequenas liberdades que nos deixam voar por alguns minutos, meses e anos. Dependentes de sonhos, de si e de imensas vontades.

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Um comentário em “Sobre liberdades

  1. Liberdade é tudo e nada. Liberdade varia de pessoa para pessoa, mas uma coisa é certa: liberdade é estar livre do que te sufoca, não ter algo que te incomoda e te limita.
    Beijos.

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