O lado agridoce da separação

Tem certas coisas que só uma mãe poderia compreender, ainda mais quando há o conflito entre o querer e o poder. Mas por que diabos tô falando isso?! Fácil de explicar. Nas duas últimas semanas eu fui “obrigada pela vida” a tomar uma decisão. A Serena, até então com 9 meses, não me deixava prestar atenção na aula, não tinha com quem deixar ela pela manhã. Ao mesmo tempo surgia a necessidade de conseguir voltar para o mercado de trabalho em busca de uma liberdade financeira que pudesse começar a garantir uma vidinha melhor para minha pequena. Como ir para a faculdade e entregar o currículo com a princesa mafagafa no colo?! A solução: ESCOLINHA, ou as chamadas creches.

Mas já parou para pensar o quão cruel é com a criança e com a mãe essa separação?! Imagina a situação, nós duas estavamos juntas desde o início da gravidez (os 9 meses) até aquele momento, inseparáveis, 24 horas por dia no mesmo ambiente, foram 18 meses juntinhas. E de um dia pro outro tivemos que passar uma boa parte do tempo em lugares diferentes, longe uma da outra. Essa é a pior separação, me senti a pior pessoa do mundo por “abandonar” minha baby dino, e a Serena, que não entende nada, se sentiu realmente abandonada.

Tive que trabalhar (e muito) o meu lado psicológico para não entrar em crise, nem enlouquecer… Isso antes do temido primeiro dia. Escolhi uma escolinha perto de casa e que fosse integral, exatamente para poder estudar de manhã e procurar trabalho a tarde (e enquanto não arrumo, colocar algumas coisas em ordem). No primeiro dia da Serena na escolinha, era só meio período, pra ver como ela ficaria, mesmo assim antes de levá-la eu fui pedir o colo da minha mãe (tá, nem era colo, era mais um apoio moral). A resposta dela foi cruel comigo: “não venha chorar, aceite as consequências. A escolha foi sua!” (valeu mãe!) . No dia eu nem percebi, mas ali ela também estava exercendo seu papel de mãe, não podia passar a mão na minha cabeça e me confortar, precisava ser dura para que eu aprendesse a lição.

Quando a deixei no colo da tia, ela nem chorou, se jogou, como faz no colo de todo mundo. Eu fiquei arrasada, entrei no carro chorando, não sabia se era por me sentir culpada, se era pelo que minha mãe tinha falado, se era pela saudade, se era pela separação… Mas chorei, desabei, como boa parte das mães que eu conheço fizeram quando levaram seus filhos pela primeira vez na escola. O sorriso no final do dia ao me encontrar foi o banguela mais lindo do mundo e me fez ter certeza de que ela sentiu minha falta, mas estava bem. Nos outros dias ela não ia muito feliz para o colo da tia, mas nunca chorou e ao me ver era aquele sorriso lindo, recompensador.

Ela ficou doente na segunda semana e claro, ficou sem ir até a semana passada… E quando foi de novo chorou, mas chorou muito. Aquele choro sentido, como se sentisse toda a dor do mundo… Ver a pequena chorando ao ir para o colo da tia e eu ter que ir embora e seguir o caminho sem ela foi algo que definitivamente quebrou meu coração. Não dava para chorar na frente dela, pois se fizesse isso a deixaria mais assustada, mas o meu dia foi inteiro regado a muito mau humor. Tava impossível, brigando até com a minha sombra…

É algo que me mata todos os dias, pelo menos nas primeiras horas do dia eu não tô muito receptiva e nem feliz, sinto a falta dela quando vou para casa na hora do almoço. Ainda não me acostumei, ela não tá chorando mais e nem eu. Mas ainda acho que minha vida perdeu um pouco do sentido. Dá um vazio enorme não ter ela por perto, não escutar as músicas do MPBaby, não fazer caretas, nem passar o dia ensinando e conversando com ela. Porém, já notei algumas diferenças no bebê de antes e no de agora. Ela tá mais engraçadinha, aproveito muito mais o tempo que estou com ela, valorizo de verdade cada momentinho. Sem falar que ela tá até mais independente, consigo deixar ela no chiqueirinho enquanto pego algo pra comer, e ela mesma se diverte sozinha com algum brinquedo. Também está comendo “papinha” melhor, antes ela enrolava, jogava fora, brincava. Agora não, ela come bem… Só a mamadeira que ainda não tentei dar em casa, porque gosto de amamentar, acho válido ainda poder garantir que ela tenha o leite materno que é tão cheio de nutrientes e ajuda com a imunidade. E nem preciso comentar que é um momento único entre mãe e filha, uma troca de carinho tão nossa.

Repito aqui, não é fácil deixar a pequena na escola, dói, a vida perde o sentido, ela sofre e eu também… Mas vale a pena, ela brinca com outras crianças, fica mais sociável, independente e até mesmo feliz. E é isso e o sorriso dela no final do dia que faz tudo valer a pena, inclusive o trabalho que irei arrumar.

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2 comentários em “O lado agridoce da separação

    1. É duro de mais e cada dia aprendo mais alguma coisa que torna essa decisão ainda mais certa.
      Esse final de semana passarei por mais um provação, será o primeiro final de semana longe dela. Espero não enlouquecer e ter forças pra aguentar.
      Obrigada pelo comentário e pelo apoio ^^

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