Ainda quero morar no Farol

Enquanto meu texto da semana passada era publicado, eu vagava pela interwebs atrás de um bom link com algo interessante pra ler. Foi aí que algo me encontrou. Uma entrevista com o grande Pedro Bandeira me remeteu a tempos mais antigos (e difíceis) da minha vida.

Me lembrei da escola que passei mais tempo em Curitiba – Escola Municipal Papa João XXIII Ensino de Primeiro Grau, Regular e Supletivo. Obviamente, não era nada fácil estudar lá. Antes, a biblioteca da escola tinha o perfil de “castigo”, numa sala escura no canto do corredor, com cheiro incrível de mofado e uma professora com cara de poucos amigos. Depois do Farol, tudo mudou. Eu devo o perfil de leitora voraz que tenho até hoje a inúmeros autores de histórias infantis e infanto-juvenis dos anos 1980/1990 que atiçavam minha curiosidade nas prateleiras do Farol do Saber anexo à escola. Aliás, desde que foi inaugurado, em meados de 1994/95, aquele Farol foi o meu oásis.

FarolSAberPapabyardvieira
Foto: ardvieira@hotmail.com , no SkyScraperCity.

 

Depois que toda aquela estrutura foi inaugurada, eu simplesmente não conseguia sair de lá. Primeiro, passava horas escolhendo livros pra ler em casa. Apesar da leitura acontecer, no ambiente residencial ela ainda tinha muitos concorrentes, como a tevê e o video-game (afinal, meu irmão sempre me esperava pra ser o Luigi ou pra perder dele no futebol). A partir de então, decidi frequentar o Farol durante o recreio. Lá eu não arranjava encrenca e eu passava doces 20 minutos dentro de um livro, sem que ninguém me incomodasse ou risse de mim. No fim das contas, eu queria morar lá. Acontece que, nessa base diária de visitas, eu esgotei a prateleira dos infantis (claro, todos fininhos, com muitas figuras e letras grandes…). Mas é aí que mora a presença fundamental do Pedro Bandeira pra mim. Ele e o Marcos Rey, aquele mesmo da Coleção Vagalume, foram por muito tempo minhas “babás literárias.”

Mesmo não tendo idade, comecei a Coleção Vagalume com um pequeno empurrão nas férias (Uma prima minha que é mais velha que eu 9 anos deixou seu exemplar do livro “Um Cadáver Ouve Rádio” no topo da pilha de discos. Curiosa que sou, peguei o livro e li em três dias), e fui lendo os livros do Marcos Rey em sequência. Eu pegava emprestado, passava o recreio no Farol, ia pra lá depois que o sinal batia, na hora da saída. Ás vezes, esperava pra devolver os livros à tarde e ficar lá mais um pouco.

Minha "babá literária" terminou a saga "Os Karas".
Minha “babá literária” terminou a saga “Os Karas”.

Quando esgotei os exemplares do Marcos Rey, comecei a pegar exemplares da Barça e, por curiosidade, ia lendo verbetes aleatórios.  Foram três anos de amor e intimidade com os livros no Farol. Um dia, uma bibliotecária me mostrou uma nova aquisição. E foi assim que decidi ler “A Droga da Obediência”,  e me lembro que gostei bastante. Depois, li “Pântano de Sangue”, que à época, não achei tão bom. Não consigo me lembrar dos outros, mas depois de 3 anos de leitura na mini biblioteca, mudei de escola e as idas ao Farol ficaram mais escassas. Volta e meia, me pego pensando em como estará o Farol, se alguns desses livros ainda estarão lá, se eu for até lá, ainda me sentirei bem-vinda…

Eu sinceramente não lembro muito das histórias, mas lembro que elas me prendiam de uma forma impossível de sair. Se hoje eu passo horas e horas do meu dia lendo, foi justamente porque esses dois me despertaram essa vontade. Não há fuga mais efetiva e deliciosa que a leitura. Saber que Pedro Bandeira voltou a contar as histórias de Miguel, Calú, Magri, Crânio e Chumbinho me deixa muito feliz. A época não é mais a mesma, eu não sou mais a mesma, mas certamente leria tudo novamente. Principalmente pra lembrar dos dias deliciosos no Farol.

 

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