Floricultura

Aos poucos, em um dia apedrejado de cores celestes com avidez, reguei o solo seco de gotículas de café amargo, não por desperdício ou por estar frio, por uma sem intenção de querer plantar os vícios tão humanos, como árvores sem galhos e folhas. Para quem e tais desfrutassem dos prazeres tão mesquinhos e vividos.

 De lembrar que as paixões nascem de retalhos de sobras de amor, crescem na consistência dos lírios  resplandecentes e envelhecem na calmaria refinada da  paciente cidade.

 Querer regar de açúcar e amargos, uma árvore consistente de pouso de pássaros cansados. Enfrentar mundos  de ferro, com avidez de sonhos, poesia e veias latentes de vida.

E pudera partilhar das auroras cintilantes de cores vinho,  debruçar se em janelas de belas paisagens. Arredia o dia, na infinita poesia de florescer e entender significados alterados dos técnicos e teóricos.

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E se houvesse árvores feitas de livros e não livros feitos de árvores? Colher um pensamento, uma crônica, uma noticia rodeada de ideologias,

E de açucares? Talvez de algodão doce para contraste do céu, de nuvens brancas e brandas , sem esfarelar em migalhas pequenas de arrogâncias.

Quem me dera ter árvores de afetos e sonhos, colher nos pomares de dias cinza e receosos.

Minha semente tão pequena e frágil enfrenta as chuvas ácidas e as inconstâncias de clima, floresce uma nova folha a cada dia, mesmo preso a uma terra de falta de nutrientes, de monocultura de pensamentos, se rega e transforma.

De espinhos florais, rosas a perfumes.

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