Eu tinha que ter parado…

Por: Andréia Homem

Eu tinha que ter parado desde o início.

Tinha que ter parado no primeiro olhar, no primeiro sorriso, no
primeiro sintoma de atração física.

Eu tinha que ter parado ali, no primeiro dia, na primeira rosa.

Mas não parei, persisti.

Enganei a mim achando que só iria descobrir se a minha desconfiança
era verdade, como quem não quer nada.

Eu tinha que ter parado na primeira conversa, na primeira cantada, na
primeira vez que você me acordou com uma música que eu gostava.

Eu não tinha que ter dado o meu telefone, eu não tinha que ter
atendido aquelas ligações, respondido aqueles sms.

Eu tinha que ter parado bem ali, quando marcamos o primeiro encontro.

Ah, como eu tinha que ter parado no primeiro beijo, no primeiro
abraço, no primeiro amasso. Assim eu não sentiria o seu cheiro em meu
corpo, não teria minha pele arrepiada cada vez que sua boca chegasse
perto do meu pescoço.

Eu tinha que ter parado na primeira transa e encerrar aquele fogo que
incendiava os nossos corpos.

Porque eu já sabia que alguém sairia magoado naquela história. Eu
sempre soube, eu tinha que ter parado, mas não parei.

Continuei, deixei que mais primeiras vezes acontecessem, deixei que
seu sorriso derretesse a minha alma, deixei que sua conversa me
fizesse gargalhar, deixei que a sua carência e elogios preenchessem um
espaço que deveria estar vazio.

Eu tinha que ter parado no primeiro empecilho, no primeiro obstáculo,
na primeira sensação que tinha algo errado.

Eu tinha que ter parado de falar, falar da gente, falar dos meus
medos, falar do que gostava, do que queria.

Eu tinha que ter parado com tudo, exatamente naquele momento que senti
ciúmes. Naquele momento que soube que você significava mais para mim
do que eu gostaria que significasse.

Eu tinha que ter parado ali, quando comecei a enxergar dúvida na sua
voz, na sua atitude, no seu olhar.

Eu tinha que ter parado no primeiro vômito, na primeira dor de
barriga, na primeira vez que estar na sua presença me causava uma
crise de ansiedade.

Tive tantas oportunidades para parar. E não parei, esgotei todas as
minhas possibilidades, toda a minha paciência, todo o meu carinho,
toda a minha vontade de esperar que você se encontrasse.

O maior erro que cometi foi não ter parado. Eu avancei o sinal,
arranquei com tudo e acreditei. Acreditei que dessa vez seria diferente,
que você era diferente, que assim como você se destacou na minha vida,
eu não seria só mais uma na sua.

Eu podia, mas não parei por livre e espontânea vontade. Eu quis
acreditar em palavras perdidas, em atitudes raras, eu quis acreditar
que nada disso me faria mal e na hora que surgisse a necessidade eu
sairia de cabeça erguida, sem dor, sem ressentimento, sem lágrimas.

Eu tinha que ter parado desde o início. Mas não parei e de repente
tudo acabou. Tudo mudou. E eu fiquei aqui, parada, sem entender. Dessa
vez eu não tive outra opção, outra saída de emergência, eu fui
obrigada a parar. Então, eu parei, por mim e, principalmente, por
você!

IMG_0251

Tagarela, Jornalista e Escritora! Ama sapos, fuscas, livros e Curitiba. Escorpiana na intensidade e na paixão por vermelho.

Anúncios

Obrigada por comentar.

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair / Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair / Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair / Alterar )

Foto do Google+

Você está comentando utilizando sua conta Google+. Sair / Alterar )

Conectando a %s