Tropclip – tudo é fundamento

Sobe o som!

“tudo é fundamento, tudo é fundamento, tudo é fundamento, brilho e sorte!”

Eu adoro esse filme. Por vários motivos. O primeiro é porque eu adoro coisas velhas. Ele vem de uma época em que o cinema nacional tava quase agonizando, mas ainda havia pérolas como essa. Outra, ele é um ~musical~, com um ímpeto jovem de revelar atores e músicos da época. Era um momento de juntar todo mundo que queria uma chance de despontar para o sucesso e colocá-los no mesmo lugar para tentarem juntos. E o mais legal de tudo é que é disso que trata o roteiro – um grupo de jovens que procura se destacar.

Além disso, ele é um retrato do meu lugar na época em que nasci – o Rio estava tomado pelas Night Clubs, jovens haviam deixado as raízes do samba e do morro de lado e corriam pras buátchys com roupas estrambólicas, cabelos cheíssimos e armados, dançando como loucos ao colorido de luzes piscantes. A Guanabara não era mais a mesma, havia sido invadida por luzes de neon, globos de discoteca, bandas de rock e shopping centers (O RioSul, que aparece no filme, foi o 1º Shopping da Cidade Maravilhosa. Depois veio o incrível BarraShopping, Shopping Show). É muito legal prestar atenção nos lugares, roupas, costumes da época. Os quatro atores que fizeram os protagonistas precisavam mostrar toda essa ~modernidade~ na telona. Não sei se foi desafiador pro Marcos Frota, Tânia Nardini, Ticiana Studart e Carlos Loffler.

Falando ainda sobre os personagens, eles tinham esse sinal de independência e corte com a geração dos pais deles, e isso eles deixavam bem claro. Era preciso mostrar essa quebra de geração, digamos assim (seria esse o começo da Ger. Y, tão falada por aí?). Cada um dos quatro faz algo para se sentir (ou se mostrar independente): Emiliano (Marcos Frota) deixa a família em Governador Valadares/MG pra seguir seu sonho de ser locutor/disc-jockey no Errejota; Krishna (Tânia Nardini)é filha de pais separados, trabalha na loja Cribb do RioSul o dia todo pra custear suas aulas de dança, cultivando o sonho de dançar na Broadway; Luciana (Ticiana Studart) buscou num casamento a liberdade que não tinha na casa dos pais, mas também não estava contente. Assim, sai da casa do Flávio (Henri Pagnoncelli) e vai morar com duas senhorinhas e trabalhar como produtora numa companhia de teatro; e Chico (Carlos Loffler), um nerd – PASMEM!!!!! – programador que tem o sonho de lançar um super jogo sobre dança (sério véi, é o avô do Just Dance! HUE) e sonha em vender seu Chevettinho todo modificado para ir trabalhar no Vale do Silício (e vocês aí se achando ~modernos~por isso. PFF). E então, depois dos caminhos deles todos se cruzarem inúmeras vezes, eles acabam se conhecendo (só digo que: adoro pensar que um dia o RJ também foi um ovo!).

Tropclip 3

Eles somam suas expertises e a vontade deles de seguirem seus sonhos e vencerem na vida pra montar uma produtora de videoclipes. Não sei se consegui despertar em você, leitor, a vontade de assistir esse filme, mas se sim, pra evitar spoilers, paro por aqui. Quero só apontar mais coisas incríveis pra se prestar atenção em Tropclip:

1- Trilha Sonora:

Barão Vermelho (com Cazuza), Marisa Monte, Roupa Nova, José Renato, Caetano Veloso… Só musicão da época. Alguns conseguiram furar o tempo e seguem sendo sucesso. As que não conseguiram, servem como recorte da época. Só sei que desde que ouvi, Promessa de Verão é trilha de amores platônicos que sobrevivem à distância (credo, que específica!).

2- Detalhes

Eu ADORO os detalhes desse filme! As traquitanas do carro do Chico, a tecnologia da época, a escuridão do RioSul (afinal, naquela guerra de neon das lojas…), carros, roupas, acessórios… Até mesmo a crise financeira é abordada. Cada coisinha que aparece mostra esse recorte da época de 1985. Tem lugares que já conheci (como a boate Help, que infelizmente já não existe mais) e lugares que ainda quero ir (como o RioSul, mesmo que não haja nem mais um tijolo de lá que tenha resistido aos quase 30 anos).

3- “Vem cá, você é mineiro?”

É a fala mais repetida em todo o filme! Quanto mais o Emiliano tenta se misturar ao modus vivendi carioca, mais ele mostra que é de fora. É uma questão de estereótipos – ele coloca em prática o que ele acha que um carioca faz e acaba mostrando que não é dali.

4- O fator Luciana

Juro que odiei a Luciana com todas as minhas forças nas primeiras 12 vezes que eu vi o filme. Mas tem um porém: ela é a que junta a todos os outros três. Eu ainda acho ela mimadinha e marrenta, mas ela não é descartável. Seu relacionamento com o Flávio é indecifrável (até pra ela), mas se aquilo tudo não acontecesse, não haveria história no filme. E essa percepção é bem legal.

5- Atores em começo de carreira

Além dos 4 principais, ainda se pode ver muitos atores novinhos, como Luiza Tomé, Luis Miranda (sim, a Mama Benson!), Maria Clara Gueiros (dançando!) e muitos outros que, à época já eram consagrados, mas é legal ver a passagem de tempo, como a Bia Montez e o Jonas Bloch. Dia desses, a Tânia Nardini esteve na Record, eu quase morri de felicidade ao vê-la, afinal, dos quatro, a Krishna é minha favorita.

Se você se empolgou como eu, coloque já sua malha de dança ou sua calça Lee e vamos cantando pela orla de Copacabana! Afinal “Tudo é fundamento, brilho e sorte!”

PS: Como seria recriar TropClip 30 anos depois? Com celulares, Youtube e afins? Não paro de pensar nisso…

 

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