Tenha paciência menina

Mais uma madrugada onde as lágrimas lavavam a alma… Era como se os sonhos perdidos, não vividos, afogados tomassem forma e saíssem de dentro dela através das gotinhas que lhe salgavam a boca. Não gostava de admitir e nem de pensar, mas era no silêncio que sua alma gritava por tudo aquilo que ela não teve chance de pelo menos tentar.

Sentia o fracasso nas costas… Tinha a sensação de que nada daria certo, que sempre seria alguém sem nada na vida. Era impossível não imaginar que nunca conseguiria realizar o mínimo possível. Ela tinha o costume de acreditar que era uma menina cheia de garra, força, determinação, coragem, sonhos e alegrias, que agora se tornou uma mulher meio desiludida, chorosa, envergonhada e calada?

Meio tudo isso, meio tudo aquilo… Maldita TPM que batia e a fazia sentir-se como um pato no lixo. Era óbvio que ela não era fracassada, podia não ter feito coisas fantásticas, como salvar as tartarugas marinhas ou sair pelo mundo viajando. Mas ainda era nova, não era? Seus 25 anos pesando nas costas diziam que era velha de mais para sonhar em sair pelo mundo, mas por outro lado, os vinte e poucos anos ainda era o começo da vida.

Por onde começar a mudança? No que poderia arriscar nessa altura do campeonato? Será que seria capaz? Deveria deixar o seu passado de lado e seguir cada passo rumo a um futuro diferente do qual sonhou? Tantas perguntas, nenhuma resposta… E agora já era tarde, olhava a Lua no alto do céu e pedia para que ela lhe desse as respostas que tanto procurava. Naquele sombrio interno já não conseguia crer…

Devia pelo menos admitir que nos últimos meses essas questões batiam a sua porta, sempre no mesmo período. Sabia que tinha interferência dos hormônios, mas nem por esse pequeno detalhe deixava de ser real. Talvez só assim tivesse coragem de enfrentar a vida, de tentar (essa palavra de novo, aff… Tudo parece ser apenas um teste, uma tentativa) achar uma alternativa, uma solução para tais inquietações.

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Agora já estava na frente do espelho, movimentos tão mecânicos que mal percebeu que tinha entrado na casa. Ali olhando o reflexo tentava encontrar a si mesma, tentava reconhecer naquela imagem um pouco do que já foi um dia. Algumas semelhanças eram visíveis, os olhos continuavam curiosos e sonhadores, as maçãs do rosto ainda eram bem redondas e rosadas, mas de resto, pouco encontrou. Porque no reflexo da alma, quase não havia mais da pequena brilhante. “Melhor ir deitar, antes que me deixe levar até  cozinha e me perca de vez nas taças de vinho”

Acordou, olhou pro relógio e percebeu que havia perdido o horário, por costume apenas se arrumou o mais rápido possível, colocou a primeira roupa do guarda-roupas. vestiu o sorriso amarelo e que conseguia afastar as pessoas de perguntas mais profundas. Abriu a porta, colocou o pé pra fora e foi para mais um dia comum daquela vida perdida…

“Tenha paciência menina, um dia o que for pra ser seu irá chegar…”

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2 comentários em “Tenha paciência menina

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