Achado é roubado sim: A falta de caráter da sociedade

Eu não sei como foi a educação de vocês, mas a minha mãe sempre me ensinou enfaticamente a não mexer e jamais pegar algo que não fosse meu. E se eu achasse algo perdido deveria procurar o dono e devolver. Regrinhas simples, pelo que converso com amigos e conhecidos essas regrinhas sempre foram passadas de maneira igual, a diferença é que alguns aprenderam e outros simplesmente ignoraram.

Vivemos em um mundo, que infelizmente, as pessoas estão dispostas a fazer tudo o que for possível e impossível para conseguir o que desejam. Inclusive passar por cima de quem for e aproveitar alguns momentos delicados. A ganancia é tão forte que algumas atitudes já se tornaram banais. Como por exemplo o furto de celular, uma amiga que foi furtada em São Paulo me contou que lá a polícia nem faz B.O para esse tipo de crime, porque é muito comum e não compensa. Imagina só se resolvessem que o homicídio acontece muito e por isso não deveriam ir atrás de quem matou, ou então o estupro, ou a violência contra alguém pelo preconceito?! Será mesmo que a frequência de algumas práticas ilícitas deveriam ser tão levadas a sério a ponto de pensarem que não é importante?

Vários casos assim acontecem diariamente… Já vou contar outra coisa sobre a minha adorada mãe, ela um dia estava andando na rua quando um carro deu ré sem nem olhar se passava alguém na calçada e adivinhem o resultado. Ela foi atropelada, ok, não foi grave, foi apenas um tombo e alguns arranhões. Porém sua bolsa estava aberta e com a queda alguns pertences caíram no chão, inclusive o celular dela. A dona mãe continuava ali caída, enquanto uma moça jovem que passava e viu a cena ao invés de ajudar a minha mãe que estava caída, se abaixou, pegou o celular e saiu correndo. Minha mãe teve que pegar tudo e ir correndo atrás da jovem que havia entrado em um restaurante. Ela logo chamou a caixa e falou que a menina que havia furtado seu celular estava ali e que se ela não fechasse as portas até ela recuperar o que era dela iria chamar a polícia. No final conseguiu recuperar o celular, mas olha só essa situação. Uma pessoa atropelada tem seu patrimônio furtado por alguém que passava na rua. Ajudar aquele que precisa não é o certo, furta-lo sim!

Sem falar das inúmeras vezes que vi pessoas contando que esqueceram seus celulares/carteiras em balcões de lojas, pia do banheiro do shopping e quando retornavam para pega-los de volta, cadê??? E ainda tem aqueles mais drásticos que nem sentiram a mão leve do ladrão pegando o pertence da bolsa ou então do bolso da calça. O que mais me choca nesses casos é que em algumas vezes é possível contatar aquele que pegou indevidamente o que não lhe pertencia. Porém a pessoa tem a cara de pau de dizer que pertence a ela  e/ou dizer que “não vai entregar assim de boa”./ “achado não é roubado” (Art. 169 – Apropriar-se alguém de coisa alheia vinda ao seu poder por erro, caso fortuito ou força da natureza: Pena – detenção, de um mês a um ano, ou multa. Parágrafo único – Na mesma pena incorre: Apropriação de tesouro: I – quem acha tesouro em prédio alheio e se apropria, no todo ou em parte, da quota a que tem direito o proprietário do prédio;Apropriação de coisa achada II – quem acha coisa alheia perdida e dela se apropria, total ou parcialmente, deixando de restituí-la ao dono ou legítimo possuidor ou de entregá-la à autoridade competente, dentro no prazo de 15 (quinze) dias.) A vontade é de responder que vai devolver assim de boa uma mão na cara! Para ver se assim esse ser cria um pouco de vergonha na cara, ou aprende um pouco do que é ter caráter!

Alguns podem dizer que isso acontece pela diferença gritante de classes sociais juntamente com crianções diferentes. Porém eu acredito que as pessoas conseguem muito bem a diferença entre ser espertinho e ser bondoso. Se a mãe ou o pai não ensinou que não se deve pegar o que é do outro, ou então devolver o que foi achado, acredito que as “leis” ensinaram, porque todo mundo sabe que furto é crime. Poucos sabem que no caso de perda dá pra devolver em uma delegacia. São coisas básicas, fáceis até de se compreender. E eu, infelizmente, estou revoltada com a frequência com que isso acontece. Diferenças existem, tanto sociais, quando na educação de cada um.  Dai você pensa “mas você foi criada em um berço de ouro, fica fácil pra você pensar assim”, pode até ser que meus pais tenham uma boa qualidade de vida hoje. Só que nem sempre foi assim, eles passaram por bons perrengues e mesmo na dificuldade não se aproveitavam ou se faziam de espertos. Eles batalharam para chegar onde estão hoje, foi com muito trabalho e pelo que vejo diariamente, trabalho e honestidade. E eles são os maiores exemplos que eu poderia ter de que as pessoas podem melhorar sem necessariamente seguir o caminho do que é mais fácil. Por isso isso me chateia tanto, me deixa descrente com o ser humano. Por isso perdi vários momentos tentando entender o por quê fazem isso.

Vamos ser sinceros, esse tipo de atitude é só um exemplo, há várias maneiras de não se ter caráter, ser corrupto, ser desonesto e de aproveitador. Nossos queridos políticos são o espelho da população em que vivemos. Acredito fielmente que talvez o país só á pra frente quando a população passar agir diferente. Parar de ir pelo mais fácil e seguir o correto. Começa a mudança com atitudes simples, de correr atrás daquele que perdeu algo e devolver porque é o correto a se fazer. De ajudar a moça que caiu na rua, ver se ela se machucou e não roubar o que ela deixou cair com a queda. Ajudar a velinha atravessar a rua e não roubar o que tem dentro da bolsa dela sem que ela veja. Começa quando cada um cuidar do que é seu e do próximo, de valorizar o trabalho do outro, de ser gentil. E fazer tudo isso assim de boa, só por fazer. Enquanto isso não acontecer, provavelmente ainda iremos ouvir muitas histórias parecidas ou então de pessoas que acreditam que a solução seja a de fazer justiça com as próprias mãos (mas isso fica para um próximo texto). E lembrem-se “O seu Direito começa onde termina o do próximo!”.

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