Carta ao velho Noel

Querido Noel.

Já faz certo tempo que não escrevo cartas, rascunhava com letras e desenhos de lápis da escola desgastados. Sempre havia uma lembrança doce dos natais na infância, com pequenos detalhes que faziam sentir alegrias embaladas de reuniões, canções natalinas e abraços. Temperados de ceia da meia noite, com luzes ao redor da árvore e na sala, todos os programas de televisão que celebram uma falsa felicidade, de sorrisos forçados, que se repetem ano a ano.

Olha senhor Noel, sempre gostei dessa data, parecia que tudo se renovava, assistia os filmes da sessão da tarde, aguardava o dia 25 e abria os presentes. Acreditava em ser um momento de refletir o que passou no ano (tá, eu não era uma criança tão filosófica assim, rá), e hoje penso é necessário uma data pra isto?

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Não quero generalizar, você deve ainda ter umas boas histórias presentes, mas o que a minha lente embaçada percebe dessa data, é um dia, esquecido o seu verdadeiro sentido, forçados a aguentar a tia que pergunta dos namoradinh@s, rum! Essa necessidade de todo mundo ser queridão, o simpático e o amado.

Sabe! O Natal passou de uma celebração de carácter religioso, para uma data que inverte seus papéis, uma data de me/se desculpar. Já não sei se é o fato de crescer, sem complexos de Peter Pan, mas onde está a magia do natal? Vejo lojas abertas em uma compulsão desenfreada de comprar e presentar para desculpar das ausências e materializar mal entendidos. Você não era o produtor? Os duendes estão em greves? Ou as renas estão cansadas? E as crianças pobres senhor Noel, quem vai presenteá-las? Afinal, como a canção diz: Como é que Papai Noel não se esquece de ninguém,
seja rico ou seja pobre, o velhinho sempre vem. Você vem? E ah, o povo aqui celebra o natal com neve falsa, aqui o calor beira os 40 graus. Porque precisamos padronizar isso para o mundo inteiro? Acredita que imaginava que  a cidade Natal, no Rio Grande do Norte, tinha neve, bonecos e tudo? Porque insistimos que tudo deve ser padronizado.

Senhor velho Noel, as crianças mal lembram de você. Não sei se elas estão deixando de acreditar nas histórias que contamos, ou se a realidade está tão exposta que acabamos não acreditando nas pequenas magias e sonhos. Mais uma data, um dia do ano para marcar feriado no cartão ponto da empresa.

Desconfio, as pessoas se preocupam tanto com presentes que se esquecem, que o essencial o dinheiro não compra.

Pode parecer clichê, mas eu espero que as pessoas realmente reflitam, a importância da sua família, dos amigos e de todas as coisas boas imateriais que a vida pode proporcionar, que os sorrisos sejam mais sinceros, os abraços apertados, os beijos apaixonados. Que as crianças sejam crianças, que as pessoas se doem aos outros, amem de verdade, celebrem! É muito pedir isso todos os outros dias do ano?

Está meio em avesso esse mundo, não que eu tenha que determinar valores senhor Noel (como você faz, dizendo para as crianças serem boas e comportadas), mas acredito ainda que pouco, que os dias podem ser melhores, que nós podemos ser melhores.

Abraços, seu biscoito com leite ainda está na janela te esperando.

Ps: Não tenho chaminé, porque como disse aqui faz muito calor.

Giovanna

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