Dalva, Herivelto, o machismo e a mídia

Você tem acompanhado o Especial Globo 50 anos? É legal, a emissora exibe suas melhores minisséries de todos os tempos em formato condensado. Ficou muito bom! Dentre elas, quero destacar a maravilhosa “Dalva e Herivelto – Uma Canção de Amor”. A minissérie é incrível, pois aborda a vida dos dois expoentes do rádio a partir da década de 1930 e como seus caminhos cruzaram e descruzaram até a morte de Dalva de Oliveira, em 1972.

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Vou tentar manter os spoilers num nível mínimo (apesar de saber que você poderá encontrar essa história em todos os detalhes colocando os nomes deles no Google). A relação de amor entre Dalva de Oliveira e Herivelto Martins era quase doentia. Ele foi o único amor da vida dela, mas ela era apenas mais uma para ele. O cantor, já acostumado à vida de boemia, tinha mulheres, fama e bebidas o quanto quisesse e a hora que bem entendesse. Ao ouvir a voz de Dalva, sabia que poderia faturar bastante. Dessa forma, a dupla “Preto e Branco” (formada por Herivelto e Nilo Chagas) ganhou uma nova integrante e o nome “Trio de Ouro”, dado pelo radialista César Ladeira.

trio de ouro

Dalva apaixonou-se perdidamente pelo colega de trabalho que a presenteava com vestidos caros, a exauria de tanto treinar a voz e ficava a seu lado nos palcos. Mas nos bastidores, ele não havia mudado sua atitude. Casaram-se mesmo assim, em uma cerimônia do candomblé, na praia. Tiveram dois filhos juntos e viveram ~felizes~ enquanto os cassinos eram liberados no Brasil.

Depois da proibição dos jogos, tudo se desequilibrou entre os dois. Herivelto conheceu Lourdes, Dalva queria segurar o casamento, mas a separação foi inevitável. E junto a ela, veio a guerra midiática que começou a destruí-la: ela cantava músicas de fossa que pediam para que ele voltasse, ele cantava músicas que projetavam sobre ela o que ele fazia. Herivelto abriu as portas a um jornalista, a quem mentiu que Dalva era quem participava de orgias e vivia bêbada. E aqui eu quero abrir um parêntese: mesmo depois de quase 43 anos de morta, essa mancha de tinta ainda persegue o legado da cantora. Pessoas mais velhas, quando vão comer uma porção de frango – PASMEM -, ainda dizem “vamos pedir uma Dalva de Oliveira?”

As reviravoltas acentuam-se, o que me levou a crer que Dalva de Oliveira morreu de amor. Ela quis tanto a presença do amado que, quando passou mal, ao invés de ligar para seus filhos, anunciou seu mal-estar na Rádio Globo, esperando que Herivelto fosse salvá-la. Enquanto alternava momentos lúcidos e comatosos no hospital, chegou a sonhar com o reencontro antes do suspiro final. apesar de toda a lama espalhada em si, ela o perdoou de tudo e esperou até o fim por alguém que não foi vê-la.

Espero que você não conheça ninguém que ainda chame seus pratos preparados com frango pelo nome da cantora que morreu de amores por um cafajeste, literalmente, mas se conhecer alguém, ora, tenha a fineza de corrigi-lo. Isso não pode mais acontecer.

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