Acostumar-se é desistir

Se acostumamos a publicar fotos frias de filtros coloridos, a não questionar e aceitar as regras tão comuns, naturalizando o percusso da vida. Não notamos os detalhes da rotina, as formas que trazem beleza ao dia. Na velocidade dos despertadores, que nos esquecem de acordar.

Reclamamos dos dias de frio, de sol, de chuva. Das tempestosas e do vento suave no rosto.
Nos acostumamos a uma vida comum, sem sentido algum, pela necessidade de sobrevivência e não existência.

Se acostumando com o cinza, o caótico, os cúbicolos do apartamento, de janelas pequenas e vistas cinzas de concreto. Compactamos a nossa vista em quadrados, não dispostos a questionar e ser indagados, aceitar as evoluções e contribuições do outro, se fechamos a sete chaves, por medo, das críticas, das dores sentimentais, afinal, aquietados em um canto quieto, a solidão parece amiga.

Deixamos de ler poesia e ir ao cinema, sem sentir pequenas doses de emoção. Destituímos a imaginação e a parte criativa de nossas cabeças, sem empreender sentidos nas ações. De repetir as letras das músicas, sem querer dançar, por medo do rídiculo, do circo disfarçado, das máscaras que abrigamos.

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Acabamos esquecendo o sentido da vida, por ignorar todas as boas novas que a aurora do amanhecer resplandece todos os dias em nossos rostos, acumulando em infidáveis montanhas de mazelas dia à dia, da nossa ignorância e egoísmo, maltratando um maltrapilho coração. A toda noite enegrecemos sem ser, sem o brilho das constelações existencias. Esquecendo de abrir as cortinas, de deixar a luz entrar,  o ar e o infinito.

Se acostumamos com o sorrir para o estranho e não ser retribuído, de desejar bom dia e ser presenteado com caras amassadas, se revestimos de ferro para não deixar aspéra a pele. A se importar, com quem pouco se sente. A ser conduzido e limitado.

A estranhar o gosto de uma fruta do pé, a consumir enlatados pela pressa, devorando aquela comida sem sal e gosto, se acostumamos a nutrir se de não-essências.

Mas apesar de tudo isso, sempre há espaço para o novo, o bem, as alegrias. Eu sei que essa vida pode ser tão bonita, como bolhas de sabão espalhados no céu, cabe as esperanças reinando a cada desejo e fé, nas pessoas e em tudo que nos rodeia.

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