Ici c’est journalisme

Meu novo vício chama-se Paris Saint-Germain. E na posição de comunicóloga, gosto também de analisar o que a assessoria do time oferece para os torcedores (fazer o que né, ossos do ofício – o qual ainda não exerço tanto quanto gostaria. ¯\_(ツ)_/¯). Além de um resumo diário sobre o que acontece com os atletas e atualizações sobre tudo o que envolve o clube para aproximá-lo mais de seus torcedores, um vídeo de bastidores divertidos toda sexta e as reações do técnico e de alguns jogadores pós-jogo, há uma revista eletrônica semanal, de meia hora, que passa em um canal de tevê francês. Até alguns dias atrás, só tinha acesso aos arquivos desse programa quem pagasse uma mensalidade ao PSG. Eu, que não sou boba nem nada, ao saber que os vídeos ficaram de graça, fui logo fazer uma maratona.

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Ao assistir o episódio mais antigo disponível (o qual não posso assegurar que seja exatamente seu começo) na página, de 2013, só confirmou uma única opinião que eu já tinha: é algo que se eu pudesse, pagaria sem problemas. A pauta é muito bem formulada, trazendo as atualidades do clube, resumões dos jogos da semana, uma entrevista com algum jogador, uma pitadinha de humor e lembranças de lendas de um clube que, apesar de novinho (PSG fará 45 anos de existência em agosto), tem bastante história pra contar. O programa é cuidadoso e muito bem editado, com sonoplastia que casa muito bem com o contexto das imagens, muito bem feitas e de ângulos interessantes. Sem contar que é veiculado tanto em inglês quanto em francês. O trabalho é tão bem feito que não há nada do que se queixar do produto final.

Mas tem um problema que, deixando minha parte torcedora de lado, é mortal: se ele é exibido na tevê francesa, por que não têm créditos? Por que os profissionais que trabalham por tanto tempo em cima de um produto que será exibido nacionalmente não são reconhecidos pelas gravações que vão ao ar de uma forma tão legal? Eu não consigo entender.

Isso me fez pensar em como o trabalho do comunicador mudou, e quão mais ele mudará, principalmente em relação ao reconhecimento e à recompensa monetária. Como o comunicador pode tirar seu sustento? Até mesmo o tal do paywall dos jornais, implantado há alguns anos, não os vejo mais com tanta frequência. O trabalho de apuração, produção (seja ela audiovisual ou textual) e finalização precisa ser reconhecido. Não é fácil, demanda muito tempo e grande esforço para que a notícia saia com acurácia e rapidez. Assessoria também não é bolinho, geralmente é pouca gente para lidar com diversos acontecimentos que calham de ser TODOS AO MESMO TEMPO (fico imaginando ainda mais no caso do PSG, gostaria muito de saber como eles trabalham a comunicação interna).

Obviamente a galera da assessoria do PSG tem uma grande receita vinda não só de seu dono Catari, mas de outros ganhos do clube como marca licenciada e como empresa parceira de inúmeras outras, o que pode sustentar o “This is Paris” gratuito e ao alcance de vários torcedores ao redor do globo. Mas não custa nada dar uma força pros caras, nomeando quem é que que ajuda a aproximar a galera dos Rouge et Bleu.

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