De pai pra filho

Não e novidade alguma para os leitores do Ninho que sou completamente apaixonada por relações familiares de alguns famosos. Essa é apenas mais uma das inúmeras histórias pela qual me apaixono todos os dias: a relação conturbada entre Luiz Gonzaga do Nascimento e Luiz Gonzaga do Nascimento Júnior, ou, como ficaram conhecidos, Gonzagão e Gonzaguinha.

gonzagao_gonzaguinha

Quem já assistiu o filme ou leu o livro sabe que a relação entre pai e filho ali foi quase inexistente por décadas. Luizinho foi o único fruto da paixão entre Luiz, o matuto que havia chegado de Exu, interior de Pernambuco e Odaleia, a moça carioca que tinha como objetivo de vida ser uma Rainha do Rádio em 1945. A união durou muito pouco e Odaleia foi vitimada por uma tuberculose. Gonzaga, para seguir andando pelo Brasil inteiro com sua sanfona, entregou o filho para os padrinhos Dina e Xavier. Para o menino, nunca faltou nada, a não ser o afeto do verdadeiro pai.

Crescendo no Morro de São Carlos, zona norte do Rio de Janeiro, era quase motivo de piada quando afirmava que era o filho do Rei do Baião. Nem ele acreditava nisso (afinal, o pai dos documentos aparecia em fotos e soltava seu vozeirão nas rádios, mas aquele que o acolhia e tinha muito afeto era outro. E não conhecera outra pessoa que pudesse ser chamada de mãe como Dina). Até que um dia o pai casou novamente, levando-o para morar com Helena que, além de paranóica e ciumenta doentia com o pai, odiava o menino. A vida dele tornara-se um inferno, então seu pai colocou-o num internato. Lá, o menino quase morreu pela mesma doença que levou sua mãe.

Apesar da satisfação de vê-lo estudando, O Velho Lua começou a desaprovar a postura política do filho – o jovem criticava de forma veemente a ditadura enquanto Gonzaga era até próximo do exército. Isso trouxe ainda mais atritos para a relação já desgastada.

Eles só se acertaram no fim da vida, no início da década de 1980. Luizinho era homem feito, Gonzagão era muito mais que consagrado. A partir de uma entrevista que o filho teve a iniciativa de fazer, ambos puseram fim a brigas de muitos anos. O vínculo restaurado deu origem á turnê “Vida de Viajante”. Os registros são emocionantes.

Eu acho que vale a pena conhecer essa história, seja assistindo o filme “Gonzaga – de Pai pra Filho” ou pra quem tem mais paciência como eu ler o livro escrito por Regina Echeverria, “Gonzaguinha e Gonzagão – Uma História Brasileira”. Essas histórias foram tão bem costuradas pelo tempo que só poderiam ser contadas juntas. É um encanto.

 

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