Sou dessas pessoas que tá sempre lendo um texto de um romancinho aqui, outro sobre relacionamento ali, e confesso que mesmo o meu lado mais ogro tem um quê de breguinha quando vejo algo bonitinho, um texto de amor desses gostoso de ler.

Mas confesso que há um lado “revoltadinho” também quando vejo alguns textos cheios de rótulos, onde coloca a mulher numa condição com o relacionamento em que ela é obrigada a encontrar uma pessoa. Essas coisas do tipo: “seja menos exigente” ou “você está encalhada porque é chata”. Esses dias até li algo sobre a diferença de pessoas dispostas e as disponíveis, num tom de crítica com quem não se envolvia em relacionamentos sérios. E fico igualmente  assustada quando leio coisas do tipo “mulher independente é exigente”, “os homens estão assustados com as mulheres porque são inseguros”.

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Pra mim, manifestações como essas só demonstram a carência do ser humano e a sua necessidade em curar suas feridas emocionais com outra criatura. Parece que namorar alguém é um tipo de prêmio que só os abençoados e sábios puderam alcançar tal graça.

Namorar é uma delícia. Quando você encontra uma pessoa parceira, cúmplice, onde você pode se despir de todas as suas máscaras e modos programados para conviver em sociedade, alguém que você possa contar suas vontades mais loucas e seus planos mais descabidos é maravilhoso. Não há nada de mal nisso, é gostoso, faz bem para o coração e para alma. Mas essa pessoa não surge no desespero pela busca do relacionamento perfeito. Aliás, essa pessoa costuma ser bem imperfeita. É o que dá o tempero.

Ser solteiro é tão bom quanto. E longe de ser por questões do tipo: – Agora posso “festar” e pegar quem eu quiser. Acho essa abordagem tão desesperadora quanto se amarrar em qualquer um pra dizer que namora. Mas ser solteiro é bom pelo simples fato de você poder dedicar mais atenção a você mesmo, cuidar das suas coisas, e aproveitar seus momentos, sozinho. Há pessoas que isso soe como uma ofensa. Mas há que se reconhecer que, não há mal nenhum em simplesmente estar bem consigo, assim, sozinho mesmo.

E além disso, o mundo está repleto das mais diversas formas de amor. Não somos preto no branco, verdade mentira, bons ou maus. Existe um universo entre estar solteiro ou em um relacionamento sério. Não há necessidade de buscarmos uma caixinha para nos colocarmos dentro e nos encaixarmos num padrão que aperta um pouco aqui, sobra do outro lado ali. Podemos encontrar pessoas especiais o tempo todo, podemos nos sentir especiais por elas ou por nós mesmos.

Diria ainda que a felicidade está mais próxima da gente do que costumamos pensar. Ela pode estar acompanhada de alguém que te faz mais feliz ou ainda, apenas com você. Basta para isso um pouquinho de sanidade mental e emocional para entender que saber quem a gente é de verdade, o que a gente quer, quais nossas necessidades e anseios são mais importantes do que colocar um rótulo na testa e achar que é um relacionamento ou a ausência dele que te fará uma pessoa melhor ou pior.

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2 comentários em “Encalhada, exigente ou solteira por opção?

  1. As pessoas estão tão cegas por uma vida que não às pertence que não enxergam que a felicidade tá bem na sua cara, muitas das vezes… É triste isso.

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