Lições de amor e coincidências

Era uma segunda-feira. O único programa inadiável de segunda (quando não estou trabahando) é auxiliar minha mãe a acender as velas das promessas que ela faz. Nunca questionei nem tenho vontade, simplesmente as retiro da embalagem e passo-as a ela. Foi então que uma moça se aproximou.

-…moça, poderia lhe pedir um favor?

-Se estiver ao meu alcance, terei prazer em ajudar. – minha mãe respondeu.

-Eu acabei de perder minha mãe há alguns meses, você poderia rezar junto comigo?

Nos entreolhamos, minha mãe e eu. Não há como negar oração.

-…você se incomoda de puxar um pai-nosso? – a moça seguiu.

Ela estava tão frágil, tão carente… Perdera sua única amiga em seus braços. E ainda nos contou que está só após a perda da mãe, pois já não tinha seu pai há muito, além de não ter um companheiro. Fiquei sem condições de perguntar sobre amigos. A situação daquela mulher me comoveu tanto que não precisei quase ultrapassar os portões da São João Batista para um trajeto de choro copioso até minha casa.

xXx

Dias depois, estávamos eu e minha mãe em uma farmácia da Vila A. A gente se preparava pra sair quando ouvimos um barulho na calçada – uma senhorinha havia caído ao não notar a diferença entre o degrau que separava o trajeto dos pedestres do estacionamento. Num esforço preocupado entre ver se ela não havia se machucado muito e se precisaria de carona até o hospital, ela disse que a filha estava na farmácia da frente. Numa delegação um tanto óbvia, minha mãe ficou com a acidentada enquanto atravessei a rua em busca da parente dela.

-xxxxx, é você?

-Sim, sou eu.

-Sua mãe está ali na outra farmácia, ela sofreu uma queda mas está-

-MAS EU FALEI PRA ELA NÃO SAIR DE LÁ!

-Sim, mas acontece, foi um acidente, ela está bem-

-Mas é assim mesmo, uma teimosa! Falei pra ela não sair!

A recepção foi tão ríspida quanto, fazendo com que a senhora caísse num choro de fazer as pessoas em volta soluçarem em compasso.

Essas histórias são reais e ocorreram entre março e abril do ano de 2015.

mae-avo-filha

Mas o que eu quero é mostrar, já que nesse fim de semana já é o em que comemoramos o dia das mães, que há uma época em que nós passamos a cuidar delas. Mesmo que você já tenha seu próprio pimpolho, mesmo que ela ainda diga que sabe se cuidar.

Mães se fazem de fortes, mas também precisam de colo. Mães fazem de tudo pelos filhos e é necessário que os rebentos estejam prontos para que possam defender os pais quando essa hora chegar. Mães são seres preciosos que, depois de nos ajudar e sempre nos dar carinho, é mais que justo retribuir quando elas precisarem.

Não é todo mundo que ganha a chance de cuidar da mãe com o passar dos anos. Algumas se vão antes. é de extrema importância saber que cuidar da mãe na velhice é uma dádiva para que os laços se fortaleçam.

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