Hoje não quero voltar para casa

Não quero voltar para aquele lugar que me sufoca, não quero ficar mais noites sem dormir, não quero acordar com a sensação de estar mais cansada de quando foi dormir. Não quero mais ter que pegar toda aquela bagunça e coloca-la no guarda roupas, lavar roupas e sentir teu perfume nelas. Hoje eu não quero ter que voltar para aquela casa cheia, mas também vazia… Vazia de companheirismo, de carinho, de compreensão, de altruísmo… É tão triste sentir-se só e nadando contra a maré quando na realidade não se está só.

Os dias passam e as sensações continuam, sempre muito cansada. Parece tanto esforço para nada… E logo eu que no final do dia só queria me sentir amada, um pouco especial, única, desejada… Sabe, talvez sentir o seu amor fosse reconfortante, o seu abraço me faria sentir esse amor que passa de você para mim e também me ajudaria a carregar um fardo que não divido com ninguém. O seu carinho poderia me poupar lágrimas, o seu beijo poderia calar-me quando começo a dizer palavas secas.

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Mas o que senti não foi nem um pouco de amor, era algo mecânico. Enquanto eu tentei te beijar, sentia você escorregando, fugindo do meu beijo, me afastando. Seus lábios tocaram timidamente os meus, porém contendo uma frieza cruel a qual me deixou confusa. Era como um projeto de beijo forçado. Talvez eu não tivesse que questionar o seu distanciamento, ou te perguntado o porque você estava comigo, nem deveria ter feito aquele comentário inocente “você percebeu que não me deu nem um beijo hoje?”.

Se eu não tivesse comentado você nem teria notado. Assim como não nota quando faço algo diferente ou simplesmente deixo a casa em ordem para você chegar e descansar. Ou como não percebe que quando está aqui não parece estar, afinal a TV, as novelas, o celular e os jogos são mais interessantes que conversar comigo ou brincar com nossa pequena. Quantas outras coisas passam despercebidas? Quantas vezes você parou para ver o que me feria? Quantas coisas também foram esquecidas?

É a gente anda assim, nessa rotina de não perceber o que se passa a nossa volta, ou de esquecer detalhes que no momento não são tão importantes, mas depois vão se transformando em bolas de neves cada vez maiores. Aos poucos vamos esquecendo um do outro. E quando menos esperarmos já não haverá mais nada… Nem sequer lembranças. Apenas duas pessoas, dois corpos convivendo no mesmo ambiente. Cada um para seu lado da vida, trilhando a própria história, um reflexo irônico daquilo que deveria ser “nossa história”.

 

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