Das saudades que guardamos

Caminhei com tuas faltas e esquecimentos, prometi a mim que jamais pensaria, mas que tolice a minha, não querer pensar em ti, me faz pensar. Nesse dualismo de não querer e sentir, sobram os cheiros amadeirado da brisa, que persiste em cantos inimagináveis, perfumados com sua personalidade. Do teu café com pouco açúcar, e do meu suco verde amargo que repetia mil e uma caretas ao bebericá-lo, nessa intensa necessidade que tinha de querer ser saudável, hoje a saudade que veio me saudar. Eu prometi reorganizar todas as constelações e criar lendas através da nossa história, foram ofuscadas pelo brilho constante da cidade e dos nossos egos. Eu cronometrava as suas batidas ritmadas do coração, como uma composição de uma música clássica e respirei todos os seus suspiros. Guardei em caixas remendadas com renda de passados, todos os instantes na fragilidade do tempo.

Mas prometo, estou recomeçando sem os passos frenéticos dos meus pés que flutuavam. Abaixo dos escombros deste furacão, há uma flor renascendo, eu prometi e não sou de não cumprir as palavras sonorizadas e escritas em tábuas de concreto.

“era ainda jovem demais para saber que a memória do coração elimina as más lembranças e enaltece as boas e que graças a esse artificio conseguimos suportar o passado”.

Mas esse coração que prega peças, armadilhas repentinas, que contradizem toda a filosofia sociológica do pensamento, da razão.

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É assim, passados ficam emoldurados em museus interiores. Não podem ser expostos para não causar mais danos, um eu particular que cobrimos com lonas pretas. O café esfria, o leite fervido evapora e derruba no fogão. Os amores passam, as dores também, e quando percebemos já é dezembro. Todos os anos se repetem em uma euforia de velhas novidades, um sentindo essencial aglomerados de lembranças doces.

Apesar de tudo, de todos, dos finitos e das preces, ainda escrevo textos inspirados, que hoje é escrito para a terceira pessoa do singular, e não mais, na primeira do plural.

*Trecho do livro: Amor em Tempos do Cólera. Gabriel Garcia Marquez!

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