Hoje não encontrei as palavras

Faz algum tempo que ando perdida mais em sentimentos do que palavras, na realidade nua e crua quando algo me inquieta eu me calo, isso é raro para alguém que costumava escrever até sobre o ar que respirava. Sempre fui daquelas que acreditava cegamente que a escrita era literalmente o motivo pela qual vivia, era o ar que me fazia viver, se parasse de escrever, assim abafando o que sentia era o sinônimo do caos, era a loucura pura e crua ou em casos mais extremo como a morte.

A morte de quem eu era, enterraria a parte de mim que mais amava. Aquela que eu considerava como a única que não era torta, errada, estragada… Era calejada, talvez incompreendida, inconseqüente, mas a melhor de todas. Afinal mesmo alguém tão “moleca grossa” como eu conseguia fazer algo puro, leve, totalmente sincero. Não que não fosse uma pessoa sincera, era até de mais, nunca fui de pensar muito para falar ou agir. Mas quando se tratava de sentimentos tinha a mania de guardar, esconder, me passava por grossa pra que ninguém soubesse que no fundo era como qualquer outra menina solitária, romântica e sonhadora de mais. Preferia deixar o meu lado delicado e mimimi apenas para as personagens que criava.

Talvez eu fosse tão crente naquilo que escrevia e como me fazia bem por ouvir diversas vezes de amigos que era saboroso ler o que colocava no papel. Uma amiga, morena, não cansava de dizer que quando eu resolvia colocar as coisas no papel aquele que lia se identificava, conseguia sentir no peito exatamente as sensações que meus dedos descreviam nas folhas em branco. Era fácil e natural colocar-se ali, de despir-me e despir aqueles que perdiam um tempo nas páginas pretas de um blog antigo.

Hoje não encontrei as palavras

Mas hoje não encontrei as palavras… Se fosse apenas hoje que não as encontrei estaria mais tranquila. Mas há tanto tempo elas se perderam que o aperto no peito mais parece um buraco negro, que vai sugando toda a poesia que existe em mim. Suga meu ar, minha vida, meu sorriso, minha tranquilidade, minha personalidade e principalmente ceifa minha liberdade. Sinto-me uma fera presa. Afinal de contas o que será que me prende? O que será que roubou a minha inspiração, minha poesia? Onde foi parar todos aqueles sentimentos?

Provavelmente se perderam nas lágrimas derramadas, aprendi a chorar, a gritar, a espernear… Aprendi a trocar as palavras por uma raiva contida, guardada a sete chaves dentro de mim e nem percebi que esse novo modo de ser eu vem me destruindo e me auto-sabotando aos poucos. Se não encontrar as palavras de volta temo que me olhe no espelho e não mais me reconhecerei.

Preciso urgente achar o caminho de volta, voltar a ter fé em mim e naquilo que me cerca. Preciso canalizar toda essa raiva do mundo, das coisas não ter saído como esperava, de não ser mais tão jovem, de não ser o que os outros esperam de mim e traduzi-las em palavras doces, em poesias, em cruzes mais leves de carregar. E agora, qual é o caminho de volta? Será que alguém pode me ajudar a encontrar? Será que alguém escuta meus choros silenciosos e minhas preces? Por favor, apenas me dê uma luz para que eu consiga encontrar aquilo que perdi no meio da estrada.

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