Confidência ao poeta de Itabira

Você tem um livro prestes a ser lançado, e tinha como ideia inicial que alguns amigos gravassem  suas vozes, interpretando os poemas. Mas com a era de Smartphone e toda tecnologia que facilita até mesmo o envio desses dados, porquê não transformar o que seria apenas áudio em imagem? O desafio não foi grande, foi ENORME! Todo mundo trabalha enlouquecidamente, estuda, vive sua vida e tralalas… Como juntar esse povo todo pra ler um poema seu… cada um fez o seu melhor, e conseguimos concluir os 101 poemas presentes no livro. (tá, tem muita gente que reclama até hoje que poderia ter feito melhor e tales coisas). Maaaas foi assim que nasceu o Projeto Vozes, do livro Vozes da minha janela… lançado agora em 2015, e foi assim cheio de amigos, amores, dores, cachorros, e principalmente muito amor envolvido… e a vontade louca de fazer esse projeto nascer, crescer e vejam só… trazer passarinhos… PARA UM NINHO! Uma parceria que nem é de hoje! ❤

Aos pouquinhos vou apresentar alguns desses poemas, (ah, que menina sem educação, eu sou a Carmen Barudi *faz a tímida*) e que difícil foi escolher o primeiro! Tive três opções e esta, me pareceu a ideal… Eu tenho um carinho muito grande pelo “poeta de itabira”, o gauche Carlos Drummond de Andrade. Esse poema faz intertextualidade com alguns poemas do escritor mineiro.

O poema a seguir, então, foi escrito em 2001 (meu primeiro poema premiado em concurso – e único -) e eu carrego ele em minha bagagem desde então, sua versão para o francês, me soou atualíssima depois dessa semana tão turbulenta lá na terra do meu amigo e tradutor Mathieu Mercier. A leitura do original foi feita pelo Mauri Gauer, e a versão do poema em francês, pelo professor Flávio Pereira, da Unioeste Foz.

Estou feliz em dividir com vocês… e o passarinho também…

Confidência ao poeta de itabira

No meio do caminho,

Uma pedra

Uma pedra

No meio do caminho.

Na vista de suas retinas fatigadas, poeta?

Uma pedra.

E no meio do caminho do Brasil, hoje?

Minhas retinas juvenis, porém,

Enxergam com sua mesma experiência,

Sua mesma inteligência?

Que no meio do caminho do Brasil

Existe a violência, a fome, a seca e a esperança

No meio do caminho do Povo brasileiro

Havia a esperança

Havia a esperança

No meio do caminho.

E no meio do caminho do mundo?

Uma pedra?

Uma imensa pedra,

Pedrinha, pedregulho, pedrão…

Perdão?

Incompreensão, ódio

Ao invés de pão.

Solidão, guerra, ambição…

Trocam-se tiros,

Ao invés de apertos de mão.

Foi tudo isso

Que minhas retinas juvenis

Presenciaram

Uma simples pedra, poeta…

De tamanho significado

Confidence au poète d’Itabira*

 

Au milieu du chemin,

Une pierre…

Une pierre…

Au milieu du chemin,

Dans la vue de tes rétines fatiguées, poète ?

Une pierre

Et à la moitié du chemin du Brésil, aujourd’hui ?

Mes jeunes rétines, cependant,

Aperçoivent avec ton expérience,

Ta même intelligence ?

Qu’à la moitié du chemin du Brésil

Se trouvent la violence, la faim, la sécheresse et l’espérance.

A la moitié du chemin du pauvre brésilien,

Il y avait l’espérance

Il y avait l’espérance

A la moitié du chemin.

Et également à la moitié du chemin du monde entier ?

Une pierre ?

Une immense pierre,

Petite pierre, pierre roulée, pierre juxtaposée

Se posent la même question.

L’incompréhension, je hais.

A l’inverse du pain.

La solitude, la guerre, l’ambition…

S’entretuent,

Au lieu de tendre la main.

Ce fut tout cela

Que mes jeunes rétines

Témoigneront.

Une simple pierre, poète…

Avec autant de signification

  *Tradução: Mathieu Mercier

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