Seu José

“Olar” ❤

Sempre me perguntam se tal ou tal poema foi inspirado ou baseado em fatos reais, em coisas que realmente me aconteceram, claro que com a poesia isso acontece sim, com frequência, e o poema que escolhi para o Ninho, hoje, é além de um dos meus favoritos, a forma que encontrei para eternizar este trabalhador que foi o meu querido, Seu José. Mas, antes disso, que tal complementar este poema, ouvindo na voz do gauche, Carlos Drummond de Andrade, o poema “A morte do leitero”:

Esse é o Projeto Vozes e quem empresta a sua voz para a leitura é o professor Marcos Galdino! o/

Seu José 

O dia era lindo,

Nenhuma nuvem

Céu azulzinho

Mas a notícia tornou a tarde cinza

 

Cadê o Seu José?

Não retornou à ligação!

Que estranho, Seu José não era disso não…

Seu José será que está doente?

 

Seu José morreu!

Disse assim de um tiro a vizinha para minha mãe…

Foi assim que nos sentimos, baleadas pela notícia.

 

“Dizem que se enforcou, apareceu em uma árvore”

Morte matada ou morte morrida?

Morte de pobre não tem investigação

Morreu, acabou

Seu José no chão

 

Mas Seu José, tinha ido para Igreja,

“Aceitou Jesus”, não pode ser verdade…

E agora José?

 

Seu José do que, mesmo?

Ah! Sei lá… Seu José!

Um Zé, José!

 

Seu José até no sorriso sofria

Magrinho, desmilinguido

Morava sozinho,

Tão frágil, parecia que ia quebrar.

 

Seu José trabalhava, trabalhava, trabalhava

E parava um minutinho e suspirava…

Ai ai

Um suspiro forte, cansado de trabalhar

 

Que vida é essa?

Que leva o Seu José tão depressa?

A luz apagou…

Zé ninguém? Mais um José…

 

Seu José tinha suas tiradas…

Arrumava forro, montava prateleira, pintava casa…

Seu José, às vezes nos assustava!

“Vende a casa, assim mesmo com os cupins, dona!”

E caia na gargalhada!

 

Seu José você me deixou triste…

 

Obrigada seu José,

Pela casinha do cachorro,

Pelo forro, feito e refeito,

Pelas prateleiras e por meu quarto pintar

 

Tal qual o leiteiro,

Aquele de passo maneiro e leve

Lá vinha o Seu José em sua bicicleta

Cedinho começar a trabalhar

Seu José…

Pelo menos nos meus versos

Quero te eternizar!

 

Ah e uma trilha boa seria: Todo Carnaval tem seu fim, do Los Hermanos!

Até a próxima! o/

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