Libertando-se

Ela tinha o espirito livre, a liberdade morava naquele coração. Porém cresceu sendo cortada de todos os lados, foi moldada. De tanto escutar “não faça isso, não faça aquilo… Não pense assim, é desse jeito. Isso não é dessa forma… Era tudo não, não, não” que acabou se limitando. Não conseguia ver o que estava a sua frente, sentia que havia algo, mas não conseguia ver. Nesses momentos se sentia uma burra, como deixou que o mundo lhe falasse quem ela deveria ser? Agora já era tarde, nem ela sabia mais quem era. Não sabia o que queria, não sabia o que desejava, lutava sem ter causa nenhuma. Não acreditava em nada e nem em ninguém. Tinha um medo gigante do mundo, da vida, das pessoas, dos sentimentos. Resumia-se em medo, vergonha, negação.

Há muito tempo se sentia perdida, fazia tanto tempo que nem conseguia se lembrar de quem era. O pior é que tinha aqueles dias que sentia uma necessidade enorme de chorar sem motivo, assim desejava um colo ou um carinho. Poderia ser só alguém para estar ao seu lado enquanto chorava. Só não queria se sentir sozinha, mas não havia ninguém lá. E isso era culpa dela, já que não deixava ninguém entrar em sua vida. Ás vezes sentia que estava enlouquecendo, não se compreendia. Queria correr, andar, ir para algum lugar, mas não fazia a mínima ideia de onde.

Olhava o nada como se algo estivesse ali, como se esse algo invisível a chamasse. Nesse momento tinha a sensação de estar ficando louca. Mais uma vez pensou em conversar com alguém, mas achariam que era louca. O vento bateu forte, então olhou para baixo. Mal se lembrava de como havia chego em cima do prédio. Mas estava ali, tinha algo que lhe chamava. E ela ia cada vez mais perto do peitoril. Começou a pensar em tudo o que havia acontecido em sua vida inteira, em todas as perguntas sem respostas, em todos seus medos, segredos… Afastou-se do peitoril…

voar

Então começou a correr, sem se preocupar com o que tinha a sua frente, mas não havia nada. Ela estava no alto e sem pensar jogou-se lá de cima. Podia sentir o vento forte tocando o seu corpo, a sensação de liberdade a dominando, não havia mais medo. Olhou novamente para baixo, estava se aproximando do chão…

Acordou pulando da cama, olhou para os lados. Colocou as mãos na cabeça, pegou o relógio, estava atrasada para o trabalho. Tomou seu banho, o café e foi trabalhar. Durante o caminho foi pedindo baixinho para que aquilo que sentiu enquanto caia no sonho se tornasse realidade.

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