O Que Aprendi Sobre o Amor, Amando

Há algum tempo eu conheci a pessoa mais “perfeita” do mundo, ele era doce, era educado, era “um príncipe”, eu olhava para ele e só conseguia ver a bondade, a generosidade, olhava e via um coração enorme, eu via uma pessoa incapaz de enganar, de mentir pra conseguir o que quer, por maldade ou conveniência. Apesar de saber que todo mundo mente, de vez em quando, nem que seja uma mentira pequena e indolor, eu olhava para ele e acreditava nas capacidades dele, na capacidade de ser bom, de ser verdadeiro e honesto.

Quase 3 anos depois, após tantos acontecimentos não tão agradáveis assim, eu ainda olho para ele e vejo as mesmas coisas. Talvez por aquela questão que Padre Fábio de Mello diz, sobre enxergar o que o outro é, mas inclusive enxergar o que o outro ainda pode ser. Ele foi a pessoa para quem eu olhava e imagina nós dois envelhecendo juntos, a nossa casa, nossas manhãs e noites, nós curtindo juntos os fins de semana, um drink na sexta-feira ou até mesmo em qualquer dia da semana que achássemos conveniente.

Era ele que eu via quando olhava para o futuro, os nossos filhos, os aniversários de casamento, as bodas de ouro e diamante. Era com ele que eu imaginava as minhas noites mais quentes, as tentativas de manter sempre acessa aquela chama que havia quando estávamos juntos, as fantasias. Tudo e todo resto. Era ele que eu via ao meu lado quando as pessoas que eu amo partirem. Era ao lado dele que eu imaginava passar os meus melhores e piores dias. Porque foi ele que despertou em mim desejos, de pele, de alma, de vida.

Só que o tempo passa e as pessoas “mudam”, e ele mudou tanto. Mas eu também mudei, e apesar de ter mudado eu ainda continuo a mesma. Acho que nos perdemos nesse tempo, nos perdemos nas escolhas que ele fez. E para mim o que restou foi a falta de respostas e entendimento. Talvez eu tenha sido exagerada demais para caber, intensa e temperamental, impulsiva. O que não faltou em mim foi verdade.

O silencio foi tão grande que eu preferi acreditar no que eu já acreditava, não houve justificativa, nem explicação. Então eu preferi acreditar naquilo que eu “já sabia”, naquilo que meus olhos viam, e que a minha sensibilidade me permitia perceber. Então eu acreditei que ele mentiu para mim que ele não foi honesto, eu acreditei naquilo que eu consegui enxergar, ja que não quis me mostrar o contrário, porque talvez era isso mesmo e não havia nada a se mostrar ao contrário.Acreditei que houve sim mentira, eu ainda não sei se foi por conveniência, ou se foi por maldade, ou se foi uma mentira “inocente”, talvez tenha sido.

Quem sou eu para julgar, assim, sem conhecer a verdade do coração do outro. Então eu só acreditei que ele mentiu, porque é o que parece sabe?! Que foi tudo uma mentira. Eu acreditei na mentira, então talvez eu seja um pouco culpada por isso, por ter sindo ingênua e ainda mais por sempre tentar encontrar uma justificativa para toda aquela ausência, para falta de me incluir na vida dele, de me fazer caber nos espaços, eu percebi que estava sempre de fora, mas sempre tentei achar uma justificativa, que talvez fosse a faculdade, o trabalho, a falta de tempo, que talvez fosse o medo de não corresponder as minhas “expectativas”, ou talvez porque tivesse medo de não ser o que eu queria para minha vida. Foi tanta coisa que ficou subintendida que até hoje eu não sei a verdade, e tenho acreditado em suposições, talvez eu esteja errada, talvez eu não saiba direito o que aconteceu. Na verdade eu nem entendo o que aconteceu, eu só estou tentando não me sentir culpada por ter dado errado, porque eu fiz tanto sabe?! Eu fui capaz de coisas que eu não fui com ninguém, então isso me faz acreditar que eu não tenho culpa por ter dado errado. É por isso que me isento de toda ela.

Seria tão mais fácil se tivesse havido de verdade sinceridade, se ele tivesse dito “eu não te quero”, se ele tivesse dito que eu servia para a vida dele, que eu não cabia no mundo dele, eu teria levado facilmente a vida em frente e não teria “perdido” todo esse tempo que perdi, tentando entrar no mundo de uma pessoa que mentia me querer, mas que hoje eu vejo que não. Mas ai eu vejo outra pessoa cabendo, fazendo parte de momentos tão pequenos que talvez na cabeça dele não teria importância para mim, mas que teria. Que faria toda diferença.

Talvez ele tinha tido medo, sei lá (Tá vendo, eu ainda tento achar explicações). Talvez ele tenha me visto tão grande, que eu não coubesse naquele espaço da vida dele. Talvez ele ache o mundo dele pequeno demais, pra me caber. Ou talvez eu seja tão pequena para ele que talvez seja insignificante eu caber lá. Mas o fato é que eu perdoei, eu consegui simplesmente me resignar, na verdade estou tentando ainda . Eu estou tentando não enlouquecer, tentando talvez, achar a sanidade que eu perdi correndo atrás dele sabe?! Tentando caber num lugar onde não havia espaço para mim, e estar em um lugar onde não me queriam.Enquanto eu pedia desculpas por coisas que não fiz, só para mostrar que me importava com o bem estar dele. Por tê-lo ferido sem querer, quando ele me feria “sem ver” e nem se importava com isso.

O fato é que eu perdoei, agora eu estou aqui com o coração limpo, tentando plantar flores para enfeitar meu jardim, recomeçando todos os dias. Eu fui capaz de perdoar, e acho que esse é o ato mais bonito de amor, a mim e a ele. E se eu disser que ainda o quero em minha vida, vou estar mentindo, e se eu disser que não o quero em minha vida, eu também vou estar mentindo. Porque eu o amei como nunca amei ninguém nessa vida, eu me entreguei como nunca me entreguei a ninguém nessa vida, e eu também me neguei a algumas coisas que talvez eu não estivesse pronta (E esse foi o maior ato de amor a mim mesma). Para o mundo entender melhor, eu ainda o quero em minha vida, mas talvez não da maneira como eu queria antes, porque eu o perdoei, porque ele foi a pessoa em quem eu mais acreditei e confiei na vida, é a pessoa que eu ainda olho com admiração, a quem mesmo sem ele saber eu conheço os defeitos e qualidades (algumas que eu enxergo, com essa minha sensibilidade exagerada, e ele nem sabe que tem), eu perdoei, mas perdoar não significa esquecer totalmente, ainda me lembro com tristeza das “promessas”, de cada palavra.O importante disso tudo é que, eu perdoei. E se eu disser que eu não o amo, isso vai ser uma tremenda mentira, porque antes de tudo vem o amor, e eu o amo, eu o amei incondicionalmente. Amor de amigo, de irmão, de pessoa humana. Como eu poderia não perdoar a pessoa que me ensinou sobre amor, PRINCIPALMENTE QUE ME ENSINOU A ME AMAR MAIS, que me ensinou tantas coisas. Como posso querer o mal de quem já me fez bem?! É por isso que eu perdoei, eu me perdoei, nos perdoei, o perdoei. O que eu mais quero é que sejamos felizes…

Luci (2)

“Luci Passos: Estudante Veterinária. Idade ?! Tem dias que 18, em outros 80, mas de nascimento quase 30. Exagerada, intensa, sincericida, amiga verdadeira e transparente.Boa filha e irmã. Um punhado de coração e sensibilidade.”

Anúncios

Obrigada por comentar.

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair / Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair / Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair / Alterar )

Foto do Google+

Você está comentando utilizando sua conta Google+. Sair / Alterar )

Conectando a %s