Copo, limão e sal

Naquele instante ela não sabia bem o que tinha acontecido, mas sentia que algo havia mudando dentro de si. Ainda no balanço sentindo o vento tocar em seu rosto, seus olhos fechados bloqueavam lágrimas que queriam cair. Porém hoje não deixaria que elas caíssem.
Ali estava o que mudara, prometera que a partir daquele dia suas preciosas gotinhas não cairiam mais por amores não retribuídos ou que não deram certo. Elas jamais voltariam a escorrer por qualquer sonho que não se realizara, ou pela realidade que a tirara do seu mundo de ilusões. Não deixaria elas saírem por feridas tolas causadas por palavras alheias, por feridas antigas.


A partir daquele dia a pequena que era tão frágil estava fortalecida. Prometera a si mesma que desta vez os sentimentos seriam abandonados de vez.Cansara de chorar, de sorrir pra esconder, de correr atrás e até mesmo de viver. Assumiria seu papel de zumbi no mundo, que andaria sem destino, sem direção em busca do nada.
Desceu do balanço, passou a mão nos olhos borrando a maquiagem. Pegou o batom vermelho na bolsa e passou nos lábios. Sorriu…
De novo teve a sensação que algo teria mudado. Sorriu de novo, desta vez aquele sorrido de lado, uma mistura de quem iria aprontar com um pouco de sarcasmo. Bateu as mãos na roupas, tirou as folhas que haviam caído em seu cabelo. Pegou uma pequena flor do chão e colocou em uma das orelhas. E começou a caminhar sem direção.

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No meio do caminho chutou uma pedra. Parou, olhou para o céu, sorriu novamente. Pegou seus óculos escuros e acendeu um cigarro. Continuou sem destino.
Chegou em um bar qualquer, encontrou alguns conhecidos. Pediu uma dose de tequila, virou. Outro copo, virou. Mais um limão, virou… Outro sal, virou… Mais uma dose, limão e sal, os virou…
Não sabia quantas doses havia tomado, nem muito menos quantos cigarros havia fumado. Seus pés doíam, mas ela não parava de girar.
Sua voz já estava rouca de tanto cantar, tomou mais algum gole de algo amargo, acendeu mais um cigarro e voltou para a pista. Deixou o corpo ir no embalo, ela girava, pulava, remexia, dançava.
Voltou a caminhar, não sabia para onde iria. Chegou em outro bar qualquer, mas doses de bebidas amargas, cigarros, voz rouca e girava.
Já não sabia que dia da semana era, não imagina qual mês estava e muito menos sabia quantos dias não fechava os olhos. Ela só queria ir de festa em festa até seu corpo não aguentar mais. Ás vezes a ressaca moral vinha, mas depois de mais alguns goles… Já não mais existia.
A pequena sorria, pulava, dançava, sorria, brincava e caminhava. A vida nunca pareceu tão fácil, nem tão leve muito menos tão gostosa.
E ela ainda estava meio “zureta” em seu balanço a voar… Seus pés já não tocava mais o chão… E ela sobrevivia a essa nova mulher, que havia brotado em meio a lágrimas de mais um dia frustrado.
Hoje aquela que um dia foi já não existia. Ela não sonhava mais, não havia esperança, nem crenças nem vontades. Era só viver por viver… E não era que ela acabou sendo feliz deste jeito, pelo menos é o que pensava.

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