A Loucura Generalizada

Em uma noite daquelas em que não esperamos por nada, dei de cara com uma publicação compartilhada por um amigo. Em alguns tópicos a autora tentava nos mostrar que quem vive com a ansiedade não está louca. Vou dividi-la aqui com vocês…

“Sobre ser ansiosa:
– deitar e não conseguir dormir mesmo estando exausta
– deitar e sentir o coração acelerado sem motivo algum, ou tique no pé
– não conseguir externar direito o que quer porque o pensamento vai mais rápido do que a fala
– criar mil expectativas, histórias, enredos e afins antes mesmo da coisa acontecer
– vontade de fazer duzentas coisas ao mesmo tempo e sentimento de que não está fazendo coisas/ aproveitando o suficiente
– angústia sem motivo
– ansiedade com qualquer mínimo acontecimento ou evento na vida
– torcida pra ninguém dizer “quero falar contigo depois”.. Isso acaba com o meu dia
– querer premeditar todos os caminhos possíveis que situações podem tomar

Você não está louca…”

(Duda Macedo)

Foto retirada do projeto de uma fotógrafa, sobre viver com ansiedade.
Foto retirada do projeto de uma fotógrafa, sobre viver com ansiedade.

Após a leitura e observar várias pessoas que também se identificaram, algumas até colocaram outros “sintomas” vividos na pele, talvez com mais frequência do que gostaríamos. Por uma ironia do destino, eu tinha um tempinho para pensar e tentar compreender porque tantas pessoas atualmente se dizem ansiosas. E eu me encaixo nessa, por isso tenho consciência de como esta luta é longa e difícil.

O que é pior é saber que não há remédio ou terapia que te curem desse mal. Já que os remédios te deixam dopados e você age como um robô, destruindo a memória e a criatividade. A terapia ajuda, acalma por uns instantes, mas quando menos espera é atacado de novo.

Parando e observando que a maior parte das pessoas que sofrem com ansiedade são aquelas de 20 e poucos anos… Da minha geração, ou seja, fomos acostumados com o imediatismo das coisas. A expectativa é alta pois tivemos o privilégio de ter oportunidades e de sermos educados achando que poderíamos conquistar o mundo.

Quando éramos mais noivos olhamos com aquele olhar infantil de que tudo seria resolvido aos 20 e poucos anos. Afinal vimos nossos pais conquistarem seus “pés de meia” enquanto crescíamos. E quando nos deparamos com a realidade do mundo adulto é realmente difícil. É praticamente impossível terminar a faculdade com 22, 23 anos e já conseguir o trabalho dos sonhos que irá nos garantir conquistar nossos objetivos. Na verdade, o buraco é literalmente mais em baixo, pois erramos muito e nos culpamos por isso. Ao invés de aprender com nossas falhas, e de compreender que chegar no cargo que almejamos inclui errar, trocar de trabalho e muita experiência. Isso é muitos anos após sair a faculdade, talvez depois até de várias pós, mestrados e até doutorados. A carreira não é tão curta quanto a espera pelo chocolate que ganhava quando saia do mercado com seus pais. Tudo tem o tempo certo para acontecer e devemos apreender a curtir a espera.

Se para a geração dos anos 80/90 está se deixando levar pela ansiedade, vamos pensar um pouco mais longe. Nas gerações que já nasceram em um mondo fast. A internet já era banda larga, com a televisão à cabo podemos escolher entre diversas opções o que queremos ver. Até gravar para poder assistir quando der. Tudo é imediato, não estão nem um pouco acostumados

Digo isso como mãe, percebo nas manhas da Serena que ela não consegue esperar eu mudar o vídeo do YouTube. Ou então chegar no parquinho. É tudo tão imediato nessa nossa vida que criamos cada vez mais pessoas doentes com a ansiedade. Deixamos de aproveitar a expetativa, aquele saborzinho de parar no meio do caminho para olhar o pôr-do-sol, ou cheirar uma flor. Nossa frase padrão sempre é “anda logo! Não demora! Corre! Não para! Já estamos atrasados! ”

Precisamos urgente dar uma pausa e apreciar as pequenas felicidades e surpresas do dia a dia. É cada pequeno milagre que acontece e que passa despercebido. Sei lá, às vezes dá vontade de jogar o smartphone, tablets numa gaveta e tirar um dia só para ouvir um pouco sobre a vida das pessoas em volta, porém acredito que essas pessoas também estejam tão imersas no imediatismo que não queiram “perder tempo” em uma simples conversa olho no olho. O que realmente é triste.

Realmente espero que de alguma forma um dia possamos dizer que existe cura para a ansiedade e que poucas pessoas sabem  o que é viver com ela diariamente.

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