Por Um Momento

Ela chorava sozinha no escuro, desta vez não estava escondida em seu quarto, não era necessário se ocultar na madrugada. Olhou o relógio, já eram duas horas da manhã, pelo visto essa seria mais uma noite sem dormir. Perdeu a conta de há quantos dias não dormia, pelos seus cálculos devia ser a terceira ou quarta semana. Sozinha em sua cozinha, olhando a escuridão lá fora fala baixinho: “Venha logo, venha e me abrace forte…” as lágrimas iam caindo, enquanto soluçava pedia em sussurros: “Vem logo, vem me buscar, me leva daqui…”.

Quanto mais tempo passava, mais dúvidas em sua mente surgiam. Leu em algum lugar que a beleza das coisas era a certeza de nada, isso poderia até ser belo, mas não deixava de ser cruel. As dúvidas eram o motivo da sua falta de sono, falta de fome e de suas lágrimas. Sentia que a cada dia que passava morria aos pouquinhos. Precisava tanto dessas respostas, mas não sabia como obtê-las.

Agora já estava no seu banheiro, se arrumava para o banho. Enquanto tirava a roupa olhou para o espelho, já não se reconhecia mais. Aquela mulher que olhava no espelho não parecia em nada com ela. Os brilhos de seus olhos não existiam mais, ali havia olheiras fundas, a expressão sempre tão alegre agora era rígida e triste. Acreditava que mesmo aqueles que não a conheciam viam a tristeza a dominando. Sentia-se perdida, não sabia mais quem era. Não tinha mais sonhos, metas, muito menos sabia o que queria. Desejava voltar no tempo exato em que se perdeu para não deixar que isso acontecesse.

Entrou no chuveiro, fechou os olhos e deixou a água cair e descer levemente pelo seu corpo. Queria sentir, deixou seus sentidos mais aguçados. Precisava deixar que a água que passasse pela sua pele lavasse sua alma. Levasse toda a insegurança, as incertezas, as dúvidas, os medos, a tristeza e até mesmo o recente desespero. Sem nem perceber gotas caíram de seus olhos de novo. Chorava com tanta frequência que já nem percebia.

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Terminou o banho e voltou a se olhar no espelho, decidiu que esse seria um dia diferente. Pegou o secador, deu um jeito no cabelo. Abriu o armário e pegou a caixa de maquiagem que não via fazia tempo. Passou os corretivos, base, blush, marcou bem os olhos com as cores que mais gostava. Lápis, rímel e batom, já estava quase pronta. Foi até o quarto, escolheu a roupa que a deixava mais confortável e bonita. Uma blusa preta, um top colorido, uma saia de cintura alta, uma meia calça estampada, sua velha bota.

Olhou as horas no celular, o desligou e saiu… Essa noite não voltaria pra casa, não antes do dia nascer, não antes de sentir dor no corpo todo, mas aquela dor boa, de dançar a noite toda. Queria se jogar no ritmo das músicas, deixar-se levar sem preocupações, sem pensar em nada. Não só precisava desse tempo, ela merecia.

E assim foi até aquele barzinho que gostava, encontrou pessoas que não esperava. Pediu uma dose de tequila, virou sem pensar. E na primeira música mais agitada que tocou correu pra pista de dança. E assim foi a noite toda, entre doses de tequila e músicas agitadas. Assim embalou sua noite solitária, porém animada.

Voltava para casa acabada, carregando suas botas, seus pés doíam. A maquiagem e o cabelo já estavam desfeitos. O vento soprou e ela sorriu, ah o primeiro sorriso sincero…

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