Lá estava deitada na grama, olhando as estrelas, pensando em como seria se estivesse ao seu lado. Tentara ser forte nos últimos dias. Não conseguia mais ouvir a voz da caixa de mensagens. A dúvida era se mandava ou não uma carta. Não precisava saber muita coisa, apenas que estava bem. Ficou ali ainda por um bom tempo, desta vez tentava não pensar.

Quando percebeu o dia já estava quase amanhecendo. Levantou e foi correndo para casa, não queria que ninguém percebesse que ela havia passado a noite fora. Chegou a seu quarto e não foi para a cama, foi até a escrivaninha. Pegou alguns papéis e canetas, sentou na sacada e enquanto olhava o dia amanhecendo começou a escrever.

carta-para-ele

“Como vão as coisas por ai? Espero que bem… Nos últimos dias tentei fazer falar contigo, mas não consegui. Deve estar uma loucura né? Tudo novo, uma rotina diferente, cidade estranha e tudo mais.

Por aqui está tudo igual, a mesma rotina de trabalho e de estudo, as brigas desnecessárias com meu irmão. Igual não significa bem… Na verdade nada bem, a cada dia a tristeza toma conta. Parece que conforme o tempo passa, ela aumenta. Nada mais me faz sorrir, só tenho vontade de ficar trancada em meu quarto ou então em qualquer lugar que seja longe das pessoas. É difícil conter as lágrimas, esconde-las do mundo. Tem noites que deito desejando não acordar no outro dia, e juro que se escrevesse todas as ideias absurdas de como acabar com minha vida em um caderno provavelmente estaria no terceiro ou quarto. Tento não pensar em nada, mas acabo pensando em tudo… Fico fugindo do que sinto. Sabe como é tentar enganar a si mesmo e não conseguir? Tenho a impressão que o universo anda fazendo com que tudo o que acontece a minha volta seja um tapa na cara… Que faz eu lembrar do que não quero, mostrando o que não quero perceber.

Você é a única pessoa que talvez compreendesse o que sinto. Provavelmente seria a pessoa que saberia o que fazer nesse momento, a única que poderia me acalmar, me fazer mudar de ideia. E, é claro, é aquela que desejo que me abraçasse e que falasse que tudo vai ficar bem. E eu tenho me sentido mais sozinha do que de costume.

Não se preocupe, sinto a sua falta.”

Devia ser a milésima carta que escrevia, mas essa parecia melhor. Guardou-a em um pequeno envelope. Por enquanto a colocou na caixinha de músicas. Aquela em que guardava tudo o que importava. Ao escutar a música a dor bateu forte, quando viu as fotos, recados, cartas, e todos aqueles pedacinhos de momentos a dor bateu ainda mais forte. Ela não conseguiu conter as lágrimas, jogou a carta dentro da pequena caixa e a fechou. Escondeu em algum canto do seu guarda roupas. Correu para o banheiro, tomou um banho, comeu alguma coisa e foi para o trabalho. No caminho ainda pensava na caixa de memórias. Agora tinha a certeza que mesmo escondendo a caixa, não pensando no que sentia e negando todos os sentimentos não iria fazer com que a dor fosse embora, na verdade só aumentava.

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