A mente vazia, como a casa que habitava. O vento era gelado, como o coração que batia em seu peito. O ambiente tão escuro quanto os olhos daquela fera. A água pura entrava pela janela, como as que escorriam pelo seu rosto.
Um estalo como o de um trovão, mas que não anunciava a chuva e sim perfurava o seu corpo. A boca estava borrada de vermelho, tão vivo e intenso quanto o sangue que agora escorria pelo chão.

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Aquele lugar onde um dia houve tanta vida, felicidade e espontaneidade, agora estava vazio, sem vida e pesado. A menina estava ali jogada no chão, o copo cheio de algo que tinha aquele cheiro forte de álcool ao lado. E na mão direita um cigarro que queimava. Seus olhos que um dia brilharam mais do que estrelas, agora estavam paralisados, borrados pela maquiagem pesada. O frio entrava pela janela, ajudando a temperatura daquele corpo sem vida a perder o calor da pele, causado pelo sangue que por ali circulou.
Luzes como as de lanterna começavam a clarear o ambiente, mas não eram lanternas. Luzes fortes, que chegavam a quase cegar quem tentasse olhar diretamente para elas. Algo havia mudado na cena, aquele quarto escuro agora era branco. Não havia mais sangue, nem o batom manchado, muito menos o álcool e o cigarro. A chuva não entrava pela janela e nem as gotas escorriam pelo rosto. Mas algo naqueles olhos escuros de fera ainda chamava a atenção. Continuavam petrificados como após o estalo que lhe tirou a vida, mas, além disso, eles eram hipnotizantes, chamavam para dentro de si, aqueles que se arriscavam os observar.
Um grito forte interrompeu a cena, mas a menina não estava morta?!
Com os braços amarrados na cama e pessoas em volta tentando lhe furar com agulhas, mas uma vez seus olhos se petrificaram e se apagaram. A luz novamente a cega, agora está perto de uma janela. É tudo tão claro e sem vida, frio, muito frio…
Os pássaros voavam lá fora e a pequena estava ali presa naquele lugar, estava viva e aqueles que a amavam lutavam para que ela continuasse assim. Por isso estava presa ali, porém eles não sabiam que ela havia perdido a vida assim que a trancaram naquele lugar.
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