Caio dizia que a menina tinha que encontrar alguém para cuidar dela. Enquanto lia isso se lembrou daquele abraço e do colo que um dia cuidara dela. Então olhou para a rua, os carros passando, o vento deles bateram em seus cabelos e os bagunçaram. Ela tentou os colocar no lugar, tentou prender em um coque meio solto, apesar daquela manhã fria de inverno. Então depois disso fechou os olhos e atravessou a rua pensando, “É preciso mesmo de alguém que cuide de mim. E esse alguém sou eu!”

A menina agora era daquelas que não esperava por ninguém, que decidia o que faria da sua vida. Era ainda mais independente do que já era antes, se importava menos com a opinião alheia. Era dona de si. Ninguém melhor do que ela mesma para cuidar de si, afinal quem se importava com a felicidade dela, mais do que ela mesma?!

Abriu os olhos e já estava do outro lado da rua, sem nenhum arranhão. Abriu aquele belo sorriso e a gargalhada saiu. “Eu tenho mais sorte do que juízo mesmo…”. Continuou pelo seu caminho ainda pensando nos dizeres do Caio. Algo lhe fez pensar em amores imperfeitos.

Amores imperfeitos deixavam a saudade, deixavam o amor inacabado, deixavam lágrimas escondidas, deixavam a vontade. Porém o nome do amor já dizia, ele era im, sendo assim não poderia ser perfeito. E se fosse não teria ido, teria ficado, se fosse não deixaria a saudade, seria a falta de estar sempre junto, não seria a vontade.

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Pensou mais uma vez, “O meu amor próprio é imperfeito”. Acreditava nisso porque muitas vezes percebeu o quanto mudou e sentiu saudades de quem era, lembrou de todas as vezes que se abandonou para cuidar do outro. Apesar disso continuava ali e aparecia quando era necessário. Mais uma vez abriu um sorriso, mas este era irônico. “Era exatamente aquilo que ela tinha visto em uma cena de seu seriado preferido, se é para duas pessoas ficarem juntas elas encontrariam o caminho de volta. E isso era certo, ninguém melhor do que ela mesma para voltar para si, para ser o seu amor imperfeito, porém eterno”.

No fundo tudo se contradizia nada era certo ou errado, perfeito ou imperfeito… Só era da maneira que era pra ser, o diferencial estava na cabeça de cada ser humano, no coração de cada um. Era aquela coisa de máscaras que cada um colocava pra poder esconder os defeitos, as cicatrizes, esconder do mundo quem eram mesmo. Realmente era aquilo que sentia acontecendo dentro de si, certas coisas o coração sentia, a mente escondia e o sorriso consentia.

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