Já começo explicando o título desse texto, afinal ele lembra algo que saiu algum tempo atrás. Desculpe o transtorno porque nos últimos dias o que mais vemos são posts em blogs e no Youtube sobre as Garotas Gilmore, e cá venho eu, humildemente fazer mais um texto sobre elas. Por isso pedi desculpas, já que mesmo como fã sinto que este assunto está saturado.
Após as desculpas agora vamos ao que realmente interessa…

Para quem não conhece e não está entendendo porque essa chuva na time line de notícias, críticas, resenhas e muito amor por um seriado. Vou explicar da forma que fiz com uma amiga:

“Não é uma série, é uma religião, um estilo de vida! Imagina o cenário, uma jovem de família rica, aos 16 anos engravida. Quando a criança nasce ela sai da casa dos pais, arruma emprego em um hotel e cria a criança sozinha. A série começa exatamente 16 anos depois, então vemos uma mãe solo com uma filha de 16 anos, que muitas vezes parece mais ser a figura materna. TOTAL troca de papéis, e sabe aquela relação que você sempre sonhou em ter com sua mãe? É exatamente isso, retratado na tela e cheio de referências ao universo POP. Se isso ainda não te convenceu, elas comem só fast food e são loucas por café, além é claro de ser uma série do início dos anos 2000 com total protagonismo feminino!”

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Depois de contar isso e muitos outros detalhes, a Giovanna Ritchely não resistiu e foi assistir. Então fique a vontade se as Gilmore Girls tocarem seu coração ao final desse texto. Porque é exatamente isso que elas fazem, vamos do riso histérico aos soluços, causados pelo choro. E já aviso, isso pode acontecer em questão de segundos. E isso pode ainda mais ser confirmado após o revival da Netiflix, que saiu no último dia 25. O que mais vi foi revolta, choro, deslumbramento, bafafa e confusão, puro amor e ressaca após uma sexta-feira com as mulheres Gilmore.

Pessoalmente falando, comecei a assistir por volta dos meus 12 anos, e naquela época era difícil me identificar com algo. A pré-adolescência é um período bem complicado da vida, ainda mais  quando sempre nos sentimos um peixe fora d’água dentro da sua própria casa. Já falei diversas vezes, admiro muito a minha mãe, mas nossa relação não é das melhores, então quando vi Loreilai na televisão e percebi que não era a única que vivia entre tapas e beijos com a mãe fiquei mais feliz. Além disso ela representava tudo aquilo que eu esperava de uma mulher (não o quesito de ter engravidado cedo), mas ter assumido as rédeas da vida, de ser corajosa e independente. Aquilo que pouco se via nos anos 2000, afinal total protagonismo feminino na TV é ainda hoje coisa rara. Para se ter uma noção do quanto esse seriado é um belo exemplo de feminismo disfarçado, Lorelai coloco o mesmo nome na filha, sendo assim Rory na verdade é o apelido da menina e não o nome. E isso, nas palavras da própria Rory é porque a mãe estava perplexa de que só os homens colocam o seus nomes em seus filhos, sendo assim a feminista interior de Lor fala mais alto e ela acaba dando seu nome a sua filha.

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SIM tem muita mulher nessa história, tantas que quando apresentaram o roteiro o Luke (um dos personagens mais queridos do seriado) era na verdade uma mulher, mas pediram para que houvesse um pouco mais de testosterona, pois eram muitas mulheres. Vamos fazer um “cálculo” baixo e rápido aqui, são 3 Gilmores (Emily, Lorelai e Rory), mas temos também Lane, Sookie, Paris, Miss Patty, Babette, Miss Kim, Gypsy, Lulu, April, Sherry, Francie, Louise, Madelyne, Lorelai I, Lucy entre outras tantas que aparecem ao decorrer das sete temporadas. É praticamente impossível que uma mulher não se identifique com alguma das personagens do seriado. Inclusive na cidade tinha uma MECÂNICA! Uma mulher que concerta carros! Onde mais temos isso?!

Podemos dizer também que a maioria delas mostrava muito mais personalidade, atitude e independência. Sabe aquele Girl Power que falamos tanto hoje?! Via isso tanto durante as temporadas, vocês podem até me chamar de louca, mas não imaginam o quanto isso interfere na vida de uma jovem mulher, não sabe o quanto isso influência… Volto a dizer é representatividade. É claro que a forma como Amy Sherman-Palladino constrói cada personagem, cada arco, cada história é realmente especial e encantador. Se fosse viável, seria um seriado que nunca teria fim, pois é a vida real ali na tela, é sobre como é difícil ser mulher em uma sociedade que espera tão pouco da gente. E todos os personagens (já que a maioria é feminina) representam tantas nuances de mulheres diferentes que no final se completam. É sobre relacionamentos, sobre amadurecimento e principalmente é uma forma delicada de mostrar que a vida nem sempre respeita nossos planos (basta ver tudo o que Richard e Emily esperavam para Lorelai, em toda expectativa que uma cidade tinha em uma menina de 16 anos e em todos os planos e listas da Rory que no fundo não deram certo, nem ao menos chegaram perto do que ela esperava.)

fim

ASP nos dá um belo de um tapa na cara, a todo instante, mas é tão gostoso, divertido e visualmente bonito que nos envolvemos, encantamos e temos sede de muito muito muito mais. Como uma amiga disse, a narrativa desta mulher é impecável! Acho complicado achar outra história que consiga mostrar a vida como ela realmente é e como é um ciclo (às vezes meio vicioso). E pra finalizar esse assunto que poderia ficar falando durante horas, a única coisa que vou dizer é que mostram como nunca é tarde para evoluir e ir atrás daquilo que quer.

 

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2 comentários em “Desculpe o transtorno, mas preciso falar sobre Gilmore Girls

  1. Faz pouco tempo que comecei a me deliciar com as Gilmore’s… foi por indicação de uma amiga. Confesso que nos primeiros episódios eu não estava totalmente apaixonada por elas, pois ao meu ver, de eterna apaixonada por GG, as Gilmores não estavam chegando aos pés do que eu esperava… passado alguns episódios, eis que meu coração foi conquistado. Agora, já faz parte do cotidiano e tenho que me policiar para não passar horas vivendo com elas hehe
    Nesse momento, o cuidado é para não ler as noticias sobre o burburinho que esta rolando, não quero o encanto da serie quebrado.

    ps.: adorei o seu texto!

    1. Elas são realmente encantantes… E menina, você tem que se esforçar muito! Tem spoiler pra todo lado, é chuva de burburinho em todo canto.
      Que bom que gostou do texto, espero em breve escrever a minha analise critica ao revival, só estou esperando dar tempo de quem ainda não assistiu, ver né!
      ;*

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