Ler ouvindo: Trem-Bala-  Ana Vilela

O sábado de manhã amanhece com tonalidades cinzentas, com ar de luto. Minha mãe prepara o almoço com todo o carinho e na televisão a cobertura do cortejo das vítimas do Chapecó. Por mais que a comida estava apetitosa, a angústia no peito e o nó na garganta, não deixavam a comida passar, pelo fato de termos a felicidade de almoçar com os nossos tão amados familiares, estar presentes, situação que não será possível para estas vitimas, chega dezembro e as festas de fim de ano? A ceia de Natal, os presentes embrulhados, a celebração de mais um ano que se inicia, como há de ser? É se compadecer pelo próximo, imaginar que Danilo poderia ter salvado ainda outras e tantas bolas, da alegria do Thiaguinho ao ser pai e de todos correspondentes, que queriam continuar e terminar inúmeras pautas jornalísticas.

Os olhos lacrimejando, pois a vida é incerta, não temos controles do destino ou dos acasos, só queremos que a vida nos proporcione tantos e bons anos e histórias para contar, nas nossas leis, a morte só deveria apresentar-se quando já estivermos velhinhos, e ainda assim não é fácil, mas é aceitável. Pessoas no auge de suas vidas, com planos, famílias, festejando suas vitórias não é algo que esperamos.

Brazil's Chapecoense footballers celebrate after defeating Argentina's San Lorenzo during their 2016 Copa Sudamericana their 2016 Copa Sudamericana semifinal second leg football match held at Arena Conda stadium, in Chapeco, Brazil, on November 23, 2016. / AFP / NELSON ALMEIDA (Photo credit should read NELSON ALMEIDA/AFP/Getty Images)

O futebol é uma das maiores alegrias para o nosso país, por dois tempos, esquecemos das mazelas que nos assolam e podemos chorar e vibrar. Ninguém entendeu Chape, mas da dor aprendemos,  nos traz reflexões para entendermos que a vida é valiosa, mas muito frágil, por mais que nós seres humanos nos engrandecemos, somos pequenos. Ainda que os tempos sejam difíceis, com tanto ódio e guerras, nós ainda somos humanos e temos empatia pelo nosso próximo, nos unimos em um.  Esquecemos nossas doutrinas e se juntamos em fé, desejando conforto aos familiares, deixamos a rivalidade dos clubes esportivos e damos as mãos, esporte é mais que ganhar ou perder. A Colômbia se tornou Brasil, e não houve fronteiras ou língua que impedisse a ajuda, o mundo inteiro silenciou. A mãe do goleiro Danilo, que em um dos piores momentos da sua vida, abraçou por compaixão o jornalista, na dor encontramos também muito amor, esperança e fé. Não conhecíamos pessoalmente as vítimas, mas é o desejo de se colocar no lugar do próximo e das famílias que nos aproximam. Cabe a nós entendermos que a cada dia precisamos nos unir em paz, amor e solidariedade.

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A tragédia nos ensina a viver cada dia, seja bom ou ruim, perdoar e amar, não sabemos o dia de amanhã. Vivam cada dia, abracem, beijem, se lambuzem com o seu sorvete favorito, escutem no volume máximo a música favorita, partilhem, sonhem tanto como os meninos do Chape sonharam, que saíram da série D para a série A. A vida é só uma.

P.S: Acabei por um ‘acaso’ escutando a música Trem-Bala, ela traduz de uma forma simples a importância do viver. Deixo aqui um pequeno trecho da letra

“É saber se sentir infinito
Num universo tão vasto e bonito
É saber sonhar
E então fazer valer a pena cada verso
Daquele poema sobre acreditar
(…) Segura teu filho no colo
Sorria e abraça teus pais
Enquanto estão aqui
Que a vida é trem-bala parceiro
E a gente é só passageiro prestes a partir”

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