Quando era uma criança levada Flávia adorava ouvir sua mãe contando contos de fadas. Seu sonho era ser como aquelas princesas. Muitas vezes foi pega pela mãe ou pela avó fazendo vestidos com alguma coberta ou lençol.

Na adolescência passou dias e noites imaginando como seria o dia em que encontrasse seu príncipe encantado. Ela sabia que não seria dependente como a maioria das princesas, que queria ser um pouco mais moderna e depender um pouco mais de si. Mas nada a impedia de sonhar com um amor daqueles felizes para sempre.

Agora jovem prestes a terminar a faculdade de Biologia tentava imaginar como seria o seu caminho, não negava que nesse conto de fadas o frio na barriga era enorme. Existia ali um medo não só do futuro, mas da mudança. E se não estivesse pronta para ser “gente grande”. Sem falar que já tinha quase 25 anos e ainda nem tinha passado por alguém que pudesse ser candidato a príncipe encantado, nunca antes na vida havia se apaixonado de verdade ou pelo menos poder dizer que teve um quase amor.

Como seria esse conto de fadas se ela não sabia o que queria e não teria seu companheiro para o felizes para sempre?

É estava ali na lanchonete da esquina como sempre lendo qualquer livro da faculdade, pensando nesses mistérios da vida e tomando um café. Agora ligava o notebook e se preocupava em escrever algo mais “profundo” na tese do Trabalho de Conclusão de Curso, fazia semanas que ela não dormia. Estava acabada, olheiras, cabelo bagunçado e primeira roupa do guarda-roupa. Não se preocupou em colocar lentes de contato, estava com aqueles óculos velhos e todo quebrado, não tinha encontrado o novo.

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Só parou para ver o jovem que pedia para dividir a mesa, já que não tinha nenhum outro lugar, por algum motivo ela deixou. Os dois passaram horas falando sobre biologia marinha, mergulhos, tipos de peixes, golfinhos, baleias e toda a beleza que se poderia ter nas águas. Era a primeira vez que alguém concordava com ela e dizia que a vida seria mais interessante e ainda melhor se fosse de baixo do mar.

Flávia achou estranho quando o rapaz foi embora, ela sentiu aquele friozinho na barriga, um sorriso nasceu. Ela desligou tudo, foi para casa deitou na cama, olhou pro teto e pensou que quem sabe o seu conto de fadas moderno estaria prestes a acontecer e ela estava apenas se preocupando de mais com tudo. Deveria largar de se preocupar sempre com tudo e com todos e apenas ser aquela princesinha que sempre foi. O relógio tocou, ia perder a primeira aula, por isso pegou a chave do carro e correu para a aula.

O susto ao ver o rapaz na frente da sala se apresentando como novo professor da turma foi enorme e o sorriso enorme com o frio na barriga voltou.

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