Não havia nenhuma estrela no céu, a noite não estava fria, mas o vento era gelado. Belle olhava para a piscina enquanto fumava o seu último cigarro. O vento gelado fazia o corpo dela arrepiar, de fundo aquela velha música que lhe trazia mil lembranças. Cenário perfeito para a nostalgia, para a saudade, para aquela dorzinha que fazia tempo que não aparecia. Mas apesar dos fatores ela só conseguia pensar em se afundar naquela piscina e ver por quanto tempo aguentaria ficar sem respirar.

 

Se ela falasse isso para alguém, diriam que estava louca, porém ela sabia no fundo que a maioria a sua volta já pensava isso. Belle realmente não se importava com a opinião alheia. Só imaginava a cena perfeita, um vestido vermelho, cor do sangue que pulsava em suas veias, a boca quase preta, os olhos borrados por conta da água, os cabelos pareciam flutuar, ela olhava o nada. O ar em seus pulmões aos poucos iria acabando, ou melhor, dizendo, o oxigênio aos poucos se tornaria apenas carbono. Com isto os olhos iriam fechar, o corpo pararia de segundo em segundo. Até que não houvesse mais vida.

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Olhou então ao seu redor, aquelas pessoas pareciam felizes, dançavam, riam, pulavam. E ela ali parada num canto escuro perto daquela piscina. Voltou às lembranças e então começou a rir sem parar, sua barriga doía e de seus olhos saiam lágrimas. Naquele momento ela lembrou-se de alguém. Parou para analisar a situação que se encontrava e sentiu uma vontade gigante de falar com tal pessoa. Precisava de alguém que a conhecesse tão bem, que passou muito tempo ao seu lado, a viu de diversas maneiras, conseguiu chegar aonde ninguém mais chegou para dar risada daquele momento e compreender o que se passava em seu coração e mente.

Claro que não teve coragem de ligar, nem de procurar, nem de escrever uma carta ou qualquer contato. Porém naquela mesma noite, ao fechar os olhos na cama durante a oração. Aos sussurros agradeceu por aquela época tão gostosa e cheia de lições. Chegou até a agradecer por ter aprendido a ser um pouco egoísta, a pensar melhor no seu bem, a não se importar tanto com os outros a não se preocupar mais do que deveria com as pessoas ao seu redor.

– Obrigada minha flor eterna, por ter me ensinado a ter um pouquinho daquilo que eu sempre odiei em você. No final estava certa e eu errada, mas isso já não mais importa… Apenas muito obrigada por isso.

Terminando essa frase fechou os olhos esperando acordar só daqui uma semana, um mês, um ano ou quem sabe nunca mais.

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